24 de março de 2013

En un Mundo

No puedo tener miedo
en un mundo
creado y sustentado en base del miedo.

No puedo soñar,
mis propios sueños
en un mundo de sueños vendidos
en cada esquina de cada ciudad.
Sueños enajenados
que enferma
al comprador.
No puedo,
ya que seria competencia
para tantas tiendas.

No debo decir mis verdades
en un mundo que crea mentiras
para olvidar un pasado
o crear un futuro
tan incierto e inseguro
como esas mentiras baratas.

Debo dejar de ser
en mundo que solo importa el tener,
no importa lo que tengan solo tener,
en un mundo donde igualan
sentimientos y plata,
tecnología
a contacto humano.
No se puede vivir
en un mundo que no es humano
siendo uno,
un humano
que por este mundo inhumano
es ahora
un extraterrestre
con un pesar y soledad
tan humanos.

Por Paloma S. Rebes, em Mamihlapinatapei.

22 de março de 2013

Magia Branca

   Por Bia de SouZa



A cortina estava fechada. Ela ainda tinha alguns segundos para respirar e ser ela mesma. Depois de tanto tempo, o frio na barriga se tornara seu melhor amigo, a companhia mais fiel e envolvente. Praticamente, tinha nele seu amante mais confiável.
  60 segundos. A luzinha vermelha anunciando os instantes anteriores à abertura das cortinas de veludo reluzia ao seu lado. Como odiava aquela luzinha. Ofuscava sua vista mais do que os holofotes ao entrar em cena. Provavelmente, tudo não passasse de mera implicância. Implicância com a luz vermelha.

   5 segundos. Sentiu o ar mudar de densidade e, ao abrir os olhos, viu milhares de olhos famintos ao seu redor, sedentos por um movimento dela.
   Aproximou-se do centro do palco. Apenas o ecoar dos seus saltos extremamente finos eram ouvidos. Nenhuma mosca, nenhum grilo, nenhum suspiro. Nada. Apenas seus saltos agulha.
   Parou ao lado do mastro e, num movimento rápido e aveludado, despiu-se de sua capa de couro, sentindo na pele semi-nua o movimento do vento, reiniciado pelos suspiros prendidos da plateia atenta.
   Música.
   Tudo fluía ao som rítmico da batida sensual, os movimentos precisos de uma dança quente, provocante e rotineira.
   Ela executava toda a sua performance com maestria e destreza, percebendo na multidão que a rondava centenas de olhos famintos conhecidos.
   Ela subia e descia no mastro. Seus saltos já não mais ecoavam, apenas serviam como molas propulsoras para seus movimentos mais ousados, momento em que invertia seu campo de visão e virava do avesso o mundo do seu séquito de vampiros. Sedentos por sangue.
   Os seus vampiros. Anjos caídos; Seres Noturnos.
   Tudo era um ritual. A cada sétimo dia da semana, ela se apresentava, como uma bruxa invocando seus espíritos, sendo observada de perto por seus discípulos, bem educados. Tudo era cronometradamente esperado.
   Suspiros no momento um. Risos no momento dois. Gemidos no três. Palmas no quatro. Novo silêncio no quinto ato.
   Ciclo vicioso e viciante, que a fazia Mestre na Arte em que se iniciara.
   E naquela noite, como num romance, num filme ou novela, havia um novo par de olhos.
   Não famintos.
   Concentrados. Curiosos.
   Femininos.
   O ar novamente mudou de densidade. Mas dessa vez, pareceu ralear. Ela não estava acostumada a olhos assim.
   Excitação.
   Pulso acelerado.
   Fluxo sanguíneo descontroladamente ativo.
   Ela desceu as escadas do palco, caminhando lenta e felinamente, diante da novidade.
   Os olhos estavam a alguns passos de distância, compenetrados e - quem diria? - divertidos.
   Um divertimento quase infantil.
   Porque eram olhos de uma quase criança.
   Quase.
   Bem à sua frente estava a constatação de que as aparências são enganadoras.
   Os demais olhos famintos estavam vidrados às costas dela, curiosos frente ao novo. Um passo fora do comum causava erupções desestruturantes.
   Aqueles olhos femininos vinham acompanhados de cabelos castanhos, olhos amendoados e boca rosada. Corpo esguio, fino e coberto por um vestido de seda preto, na altura dos joelhos. Sapatilhas cor de chumbo lhe cobriam os pés pálidos como a lua.
   Ali estava uma imagem contrastante com os cabelos vermelhos curtos e pele bronzeada dela.
   Como uma cobra antes do bote, ela se agachou em frente àqueles olhos, sabendo que os gemidos de plano de fundo se sobressairiam à música ambiente.
   Delicada como uma pluma, ela subiu-lhe o vestido, deixando os joelhos e parte das coxas à mostra. Afastando-lhe gentilmente uma perna da outra, ela apoiou um dos seus pés na cadeira e olhando aqueles olhos profundamente, sorriu.
   Foi retribuída com um sorriso travesso, seguido por uma mordida nos lábios. Achando aquilo divertido, ela aproximou-se mais e deixou que seus próprios lábios roçassem-lhe a pele, ao mesmo tempo em que, ajeitando-se com carinho, sentava-lhe no colo.

   Nunca havia contato físico em suas apresentações.
   Assim como não havia olhos femininos.
   Percebeu que se tocavam delicadamente, com certo receio e ousadia.
   Os vampiros ao redor não ousavam interromper a mais nova parte ritualística. Duas bruxas geravam mais faíscas, portanto, mais combustão.
   Ela pôs-se de pé e rodeou-lhe a cadeira. Não fora seguida pelos olhos femininos, que permaneciam onde estavam.
   Deslizando-lhe os braços por sobre os ombros, tocou-lhe o busto, sentindo-o arfar.
   Ela, mais uma vez, sorriu e, pela primeira vez, olhou ao redor.
   Olhos famintos, sedentos, excitados e hipnotizados. O poder do desconhecido era muito forte.
   Caminhou em direção ao palco, consciente de seu movimento, e subiu num salto único. Agarrou-se ao mastro, girando, girando, girando... e parando no solo gelado, que arrepiava sua pele.
   Viu a luz azulada ir se esvaindo, num fluxo lento e lânguido, e o momento quatro finalmente chegar.
   Não houve quinto ato naquela noite.
   As cortinas se fecharam à frente dela, e ela conseguiu ouvir seu próprio gemido.
   Uma noite memorável, poderia dizer.
   Especialmente por saber que aqueles olhos infantis seriam revistos. Brevemente.
   Lá estava seu amante mais confiável novamente a envolvê-la.
   Sorriu.
   Cerimônias ritualísticas mudavam com a introdução de novos feitiços.

18 de março de 2013

Quinto ato

 por Jéfferson Veloso.


                                           Prefácio

"Querida Margott,

 te escrevo hoje esta carta, na intenção de despedida. Despeço-me de você e do mundo inteiro. Desisti desse jogo. O 'tudo ou nada' nada mais me importa. Não encontrei outra saída.

PS.: não me responda.

Com carinho,
eu."

I-
    Acordo na manhã do primeiro dia de inverno do ano. Roupas minhas e suas jogadas em todos os cantos da sala onde, ali mesmo, dormimos. Minha vista ainda cansada percorre aquele espaço em que horas atrás foi cenário de uma foda fenomenal. O cheiro de sexo e vinho seco ainda está presente no ar e principalmente em meu corpo. Peças de roupa, garrafas de bebida alcoólica e preservativos eram prova de que tudo o que está passando em minha mente realmente foi real.  Mesmo assim, era como se eu estivesse acordando de um sonho, mesmo tendo a certeza de que tudo tinha acontecido. Tento fechar um pouco os olhos para pensar um pouco do que aconteceu ontem à noite. Mas ao virar a cabeça para o lado, vejo-a despertar, linda e delicada. Seu cabelo negro chanel contrastava perfeitamente com a sua pele morena. Era como uma recompensa para mim, aqueles lindos olhos se abrirem juntamente com seu sorriso ao me ver.
 - Bom dia, querido. - diz, com tom de bocejo.
 - Bom dia. Dormiu bem?
 - Nossa, melhor do que qualquer outro dia. Você ainda sabe satisfazer uma mulher, hein...
  Engraçado, em um breve momento, essa frase ecoou em minha mente.
"Você ainda sabe..."
"...ainda sabe..."
"...ainda sabe.."
  Para um pessimista, isto apenas seria apenas um mal dizer sobre sua idade, ou seja, estaria chamando-o de velho. Para um otimista, estaria dizendo o quanto era bom de cama, mesmo tendo alguns anos a mais. Deixando minha modéstia de lado, ainda digo que esse meu corpo de 42 anos 'ainda' conquista muito mais mulheres do que esses garotos de 24. E não faço esforço algum. Elas simplesmente vêm atrás de mim. Eu apenas aproveito da situação. Coisa normal para um oportunista, quente e calculista.
Mesmo sabendo que não vão valer mais do que uma simples noite de sexo para mim, elas simplesmente me adoram.
 - Você me deixou doidinha ontem... - sua voz me faz voltar ao mundo real.
 - Pequena...você ainda não viu nada. - digo isto enquanto cubro seu corpo com o meu.
 - Hum... - gemeu - não vi? Você ain...
  Beijo seus lábios carnudos antes dela terminar a frase, enquanto ela me abraça cada vez mais forte, fazendo-me encostar meu peito nu em seus seios ainda guardados em minha camiseta do AC/DC, mas com um leve destaque de seus mamilos. Seu abraço me fazia perceber cada vez mais que ela me queria 'dentro' dela novamente. E eu quero estar dentro dela.
  Vou descendo minha boca em direção a seu pescoço. O gosto do vinho seco que derramei nela na noite passada ainda está presente, mas vai diminuindo a cada lambida ou chupão que dou. Sua respiração ficando cada vez mais densa devido ao prazer era como êxtase para mim, e eu correspondia com beijos mais quentes e abraços cada vez mais fortes, a ponto de fazê-la arranhar minhas costas com suas grandes unhas. Enquanto eu roçava meu pau por cima de sua virilha, sua calcinha ficava cada vez mais úmida perante os movimentos que fazia por cima dela. E posso dizer que aquilo definitivamente não era apenas suor. Ela estava 'molhadinha' novamente...
  Mesmo sendo eu quem dava as direções no sexo, ela me deixava louco de prazer ao falar, ofegante:
  - Assim... acaba comigo... me come... vem se encaixar em mim, vem...
  Não penso em outra coisa senão a colocar sentada por cima de mim, para que eu possa tirar minha camiseta do seu corpo. Então, seu busto surge. E lá estão eles: redondos, fartos, perfeitos, como se estivessem me olhando, implorando por carinho. Melhor não deixá-los desamparados. Faço carinho com minhas mãos, amaciando-os suavemente, enquanto ela apenas sente com os olhos fechados em direção ao nada, com sua respiração cada vez mais densa. Para dar o tesão, abocanho o seio direito enquanto continuo com acariciando o esquerdo com a mão. Sinto uma respiração se transformando em pequenos gemidos. Sei que ela gosta disso. Depois de um certo tempo ela cai na cama, extasiada, com as pernas entrelaçadas em minha cintura. Parei um pouco para admirar aquela visão: cabelo jogados para o lado esquerdo, olhos entre-abertos em um rosto jogado para o lado direito, pescoço úmido, seios fartos, curvinhas da cintura, calcinha... calcinha? Por que não tirei você dela ainda?
  Coloco a música The Jack (AC/DC) para dar um clima a mais e então recomeço a beijar-lhe o pescoço; vou descendo até seus seios e dou mordidinhas carinhosas enquanto ela se contorce cada vez mais fortes. A cada movimento que ela faz, aproveito para descer cada vez mais em direção à sua calcinha. Antes de tirá-la permaneço um tempo beijando a parte interna de suas coxas, fazendo-a dar algumas reboladas quase que involuntárias.
  Em um só movimento tiro sua calcinha, o que a faz cruzar as pernas para esconder, digamos, o seu 'tesouro'. Com um pouco de força, abro suas pernas. Sem tirar meu olhar ao seu começo a beijar seus lábios, enquanto suas pernas esquentam minhas orelhas. Sua respiração densa se transformou por completo em pequenos gemidos e aumentavam cada vez mais a cada parte diferente em que eu direcionava minha língua. Tudo se destacava perfeitamente: virilha, clitóris, pequenos e grandes lábios, vulva... tudo aquilo estava sobre meu controle. Fica cada vez mais gostoso quando ela segura meu cabelo com as mãos e me direciona aos lugares na qual ela sente mais prazer.
  Agora estou deitado na cama, e ela está por cima de mim, fazendo os mesmo movimentos que acabei de fazer, mas sempre com seus olhos voltados aos meus. Seu olhar e seus movimentos mostram o quanto ela é insaciável. Por muito custo, percebo que a música parou de tocar. Então, e em sua homenagem, coloco Little Lover (também do AC/DC) para fazê-la sentir-se mais à vontade (se é que precisava disso).
  Nunca ninguém me tirou a cueca tão rápido quanto essa mulher. Se seu objetivo era me deixar louco de prazer, pode considerá-lo alcançado


continua...(ou não)

2













Silêncio.                                                                                                   Barulho.


                Sol.                                                              Trovão.


    Poeira.                                                                                                Ar Puro.


         Mago.                                                                  Pagão.


                                   Preto.                                                                                    Branco.


  Chocolate.                                                       Pimenta.


                         Calcinha.                                                     Cueca.         




                             Nude.                       Magenta.



                                         
                 Bonnie.                      Clyde.
                       


         Tequila.                                                                                                Sake.                                                      



                                            Loiro.                                              Castanho.                                                  
                                                 
                                     

Botão.                                                                                                                          Buquê.                                                 


                                    





Rock.
Arte.
Livros.
Sonhos.
Vida.
Olhos.
Paixão.
Amor.






Café.

2.







Por  Bia de SouZa
                                                                      

17 de março de 2013

Vos

La respiración aumenta, así empieza, tu rosto se cubre por pequeñas lágrimas, y luego el dolor abdominal, fulminante, te hace caer al piso con violencia y entre gritos y gritos tratar de respirar con calma, esa vieja técnica que nunca funciona, contar hasta tres, o diez si es peor el caso, pero nada, nada, solo cambia la respiración, pero los pensamientos siguen tan lacerantes como antes, y rápidos van y vienen, flotando en la nube perdido de nuestros pensamientos, de nuestra cabeza que como un machete nos corta sin parar, con violencia y determinación, no hace pedazos en su filo.
Todavía te veo, te veo en fotos, en pensamientos, en reflejos, te veo, y no sé como apagar el recuerdo, un recuerdo que solo trae lo dicho antes, haces parte de un lado de mi que trato de bloquear a toda costa, como si de eso dependiese mi vida, me entregue a vos, a la nada, al terremoto del mar de tu mirada, de esa mirada clara, buena, que como una ventana me mostraba oportunidades, y tu cara, tu palabra nunca dicha, que me habría al medio y sacaba todo lo que soy a fuera, todo, lo bueno y lo malo, lo malo y lo bueno, me entregue a la nada, a vos y a tu color de esperanza.

Casi paso un año ya, paso, pero no paso realmente, sabes no? Nada paso todavía para mi, todo sigue perenne como una sombra que cubre mi vida, mi vida sin tu figura, solo tu figura, ni siquiera tu palabra. Por ahí por no tener tu palabra mas duele supongo, representabas mucho mas de lo que realmente eras, y vos, allá vos y tus amigos, tu facultad de medicina o derecho, allá vos, acá yo, acá, sola, y olvidada.
Ni siquiera se lo que estoy escribiendo, pero sé que escribiendo los pensamientos cesan y el dolor también, el dolor, mi creación, vos, en parte, mi creación.
Vos, con tus miradas secretas, que atravesaban las multitudes, y me llegaban como un choque inesperado de alegría, vos con tu cabeza roja que frente al sol mas brillaba, y te veía, lejos yo, te veía… Y nada mas, nada, solo miradas, y palabras que no significaron nada, para vos, para mi, es otra cosa. Vos, fuiste otra cosa, desde el inicio sabía que nunca iba a tenerte, pero el inicio rápido se convirtió en medio, y ese “no” se convirtió en “si” lleno de esperanza única, esperanza, que mierda la esperanza no ? Para que… decime para que, porque, no se, no se, estoy desbordando, estoy cayendo, muriendo, y la vida, nada, solo sigue, y gira y gira, y el sol para mi, ni brilla, la luna para mi misteriosa solo ella entiende, ella olvidada por todos, ella, solo un reflejo que dramático se muestra para quien la mire y pierda tiempo, porque solo es un reflejo, reflejo.
Vos, vos, vos, vos, vos, no me canso, no me canso nunca, de decir “ vos” tan ambiguo parece no? Sin en cambio en ese vos, se esconde vos, mi amor, solo vos, y únicamente vos, que verdaderamente no amo, solo duele, duele, mucho, vos, hermosa piel de luna indómita, hermoso, te odio, maravilla de mis días pasados, te odio, sal de mis heridas, te odio, calor e ilusión de un posible mañana, te odio, te odie, no mas, no hay espacio en el hueco hondo que implantase en mi cuerpo, no para vos, mi perdición, no para vos, vos, vos ,vos, vos, no mas, nunca mas, nunca.

Por Paloma S. Rebes, em
Mamihlapintapei

15 de março de 2013

Instável.



Olho ao redor, e nada vejo.
Uma sensação vazia me apodera.
O mundo já não mais existe.


Apenas células vivas de uma realidade morta, descolorida.

Tantos desejos, tantos medos...
Fantasmas rondando corpos como abutres em carcaças.

Edificações desestruturadas, organismos acéfalos e desalmados.

Desajustes organizados, padronizados no tempo.
Indiferenças tão à flor da pele
que a pele das flores já se acha murcha e caída numa terra seca e sem dono.

O Vento cessou.
A Luz apagou.
A Lua surgiu, clamando por um uivo de esperança.

Nos becos imundos, só os vestígios de movimento.
Nem mais a Morte sente cheiro de novidade.


E eu, perdido em pensamentos e devaneios,
Me pego inserido numa bolha de vidro
Transparente e negra.

Sem saída
para uma fuga impossível.










Por Bia de SouZa

6 de março de 2013

Notas de Rodapé sem Poemas



(*)Is there anybody OUT there? Acho que não, certeza que sim. Terças-feiras não são nem um pouco dias inspirativos, pelo contrário, costumam ser cansativas e depressivas, o que dá no mesmo. Não, isso não é uma contradição. Não em sentido literal. Contradições são como regras, existem para ser quebradas, do mesmo modo de que clichês são para serem abusados.

(*)Depois de quase acabar uma novela magnífica, uma crítica perfeita à falta de crença de uma sociedade e, ao mesmo tempo, autocrítica, meu cérebro dava voltas e voltas ao redor do seu próprio "eixo" (assim como a Terra, "inexplicavelmente", gira), que é o mais exótico que conheço, e conheço apenas um semelhante. Is there anybody IN there? Tem sim, mas está acuado, talvez fugindo para o nunca, para o incompreensível, para a verdade de quem escolhe o caminho mais fácil. Não há pra onde fugir, talvez por isso eu escreva, pra fugir da vida real. Como é que eu troco de canal? Desta vez a resposta é simples e única. Bang.

(*)Aí está o meu fascínio pela ficção, só com ela me alivio, pois os planetas que giravam semelhantemente ao meu já morreram há muito, foram engolidos pela estrela maior, a verdade de que não se pode fugir. Alguns chamaram por ela, outros desistiram de procurar. Outros, como meus comandantes, morreram por tentar ultrapassar as barreiras da estrela negra, a estrela da morte. Eles conseguiram e isso aumenta ainda mais minha doce indecisão. A estrela deles ainda brilha, mesmo parecendo apagada, milhões de planetas anões ainda orbitam ao seu redor, e agora somente estes conseguem enxergar o tamanho brilho dessa estrela vermelha. Não saber o que fazer às vezes faz nossa certeza, às vezes faz nossa cabeça um par de olhos, um pôr do Sol. Às vezes faz a diferença.

(*)Tenho fugido da escrita ultimamente. Tem me feito mais mal do que o esperado, além do fato de que rascunhos passam como raios e eu não consigo mais fotografá-los. Mordi o meu próprio rabo com presas venenosas. Armas de brinquedo, medo de brincar. É incrível como não consigo deixar a escrita entre linhas embaçadas de lado, brincando com as palavras como se fossem instrumentos que me pertencessem. Toda vez que brinco, brinco sozinho, num show pra mim mesmo. Pra quem mais seria? Desconfio que minha vida seja um labirinto, planejado milimétricamente para não ter saída. Uma busca eterna pela perdição, nem sim, nem não, e no meio da corda bamba não se tem tempo pra respirar. I have become comfortably numb, my lips move but no one can hear what I say. Isso deve fazer parte do meu desespero. Desespero. Também na forma pouco utilizada de não ter expectativas, digamos assim, "desesperança". Já preciso me refugiar na minha ficção novamente, na música e na palavra indireta. Nas horas em que o mundo vai à sua caça, você é apenas a presa indefesa, sem Guevara, sem Chávez, sem seu escudo vermelho, sem deus, sem Odin, sem você mesmo. Não seria má ideia, nessas horas, ter à quem recorrer. Se a vida é um filme, eu não conheço o diretor. O que me conforta é que a tempestade está chegando enquanto os demônios estão comemorando uma suposta vitória. Nem só o amor é cego, e quem "já perdeu" tem um grande aliado nesse momento: o instável, insustentável e autoconfiante... inimigo, que não se cansa de morder o próprio rabo.

(*)Escrevi, escrevi... e não disse o que tinha pra dizer. Talvez eu nunca vá dizer. Sem plateia não tem show, mesmo que algum desinformado se defina como plateia. Sei que não quero deixar isso morrer no labirinto com meu corpo. Talvez daqui uns anos algum extraterrestre ouça meus gritos em interferências nas ondas de rádio, ou talvez um desavisado encontre um enigma vermelho, escrito a sangue, numa parede úmida qualquer de uma extremidade do labirinto, que na verdade sempre teve uma saída, a uma curva dali.