Por Jefferson Veloso
No sofrimento que assurgires
E nãos ilusões da vida sofrida
Esqueça as batalhas simples
A maior guerra é antes da vida
Milhões e milhões de vocês
Procurando vaga para existir
No ovo que em si fecunda
O big-bang natural de surgir
Vida esta que começa
Batalhou antes de ser
Mas se esquece de que quand'era
Brigou bravamente para ser você
8 de maio de 2015
7 de maio de 2015
Quero
Por Jefferson Veloso
Cachaça que vem da cana
Desencana meu saber
Me faz ser mais sacana
Sacando o que quero fazer
Marijuana que dá brisa
Mais em conta tu me faz
Faz surgir a calmaria
Com a risada fugaz
Opostos que se atraem
No doce este que é amargo
Ou sem gosto de miragem
Dos dragões nos quais afago
Cada qual com o seu nome
Cada efeito sua viagem
Onde encontra ou talvez some
Caminhos novos que o (des)fazem
Cachaça que vem da cana
Desencana meu saber
Me faz ser mais sacana
Sacando o que quero fazer
Marijuana que dá brisa
Mais em conta tu me faz
Faz surgir a calmaria
Com a risada fugaz
Opostos que se atraem
No doce este que é amargo
Ou sem gosto de miragem
Dos dragões nos quais afago
Cada qual com o seu nome
Cada efeito sua viagem
Onde encontra ou talvez some
Caminhos novos que o (des)fazem
3 de maio de 2015
Singelo
Por Jéfferson Veloso
Num colchão bem macio
Ou no chão de sala qualquer
Como pão bem quentinho
Ou torradinha com café
Chá de camomila
Produto que sai da terra
Sachê cheio de vida
Vida que sai da caneca
Biscoito de trigo e leite
Com chocolate bem quente
Desenho completa o deleite
Do prazer que se faz presente
Café preto e bem coado
Coador de pano certeiro
Pão de queijo agraciado
Que agrada o povo mineiro
De manhã cedo e chocolate em pó no copo
Vai no curral e acompanha a ordenha
Pra sentir o fenômeno natural
De tomar leite fresquinho da teta
Maçã e banana que acalma
Chá de romã que acompanha
Para o descanso do sono prevalecer
E acordar com xícara de café
Enquanto assiste o Sol nascer
Num colchão bem macio
Ou no chão de sala qualquer
Como pão bem quentinho
Ou torradinha com café
Chá de camomila
Produto que sai da terra
Sachê cheio de vida
Vida que sai da caneca
Biscoito de trigo e leite
Com chocolate bem quente
Desenho completa o deleite
Do prazer que se faz presente
Café preto e bem coado
Coador de pano certeiro
Pão de queijo agraciado
Que agrada o povo mineiro
De manhã cedo e chocolate em pó no copo
Vai no curral e acompanha a ordenha
Pra sentir o fenômeno natural
De tomar leite fresquinho da teta
Maçã e banana que acalma
Chá de romã que acompanha
Para o descanso do sono prevalecer
E acordar com xícara de café
Enquanto assiste o Sol nascer
1 de maio de 2015
A Bailarina
Quando
ouço Für Elise, de Ludwig von Beethoven, sinto que ela dança em minha mente, transformando
esta em uma caixinha de música, habitando, intermitentemente, os mais belos recônditos
de meus devaneios poéticos; sinto que suas leves sapatilhas de cristal deslizam
sobre minha massa cefálica, levantando toda poeira de neurônios e fazendo-os
iluminar meu sótão de pensamentos brilhando feitas estrelas no firmamento; seu
vestido rosa-bebê, girando em cirandas sincronizadas, sinto acariciar sob meu
couro cabeludo todas as ideias, afastando para longe as ruins e convidando para
dançar as boas, como um repentista que enfeitiça outros a serem também
repentistas enquanto entoam seus cordéis pelas praças; rodando e voando, feito
as asas de cisnes apaixonados, eu vejo seus braços regerem mil versos em meus
pensamentos, desenhando Ilíadas, Odisseias e Lusíadas, como uma Musa-maestrina
de uma orquestra divina; seus cabelos pairam ondulantes por entre as raízes dos
meus, feito um convés a levar um marinheiro que busca novos horizontes para
descansar. Assim é formada a bailarina de minha cabeça, esta caixinha de
música, dando corda a todos os meus sonhos, tanto diurnos quanto noturnos.
E quando a música para, e sua valsa
termina, ela se senta sobre meu cérebro, macio feito colchão de nuvens, com as
pernas cruzadas, os pés debaixo de suas coxas, esperando que eu lhe conte uma
história para dormir, repleta de fantasias verdadeiras, daquelas capazes de
fazerem todas as mulheres se unirem em um único canto de vaidade e prazer; após
essas historietas, ela dorme, deitando-se sobre meu único sonho verdadeiro: o
teu corpo desnudo afogando meus medos e anseios, encobrindo-me de prazer e amor
por toda noite.
Augusto
Procópio
Casinha Branca
Quando
dei por mim, vi que todas as paredes eram brancas, completamente brancas, sem
rodapés ou quinas amadeiradas de cor parda ou marrom; tudo cheirava a branco de
tão claro, e isto me dava uma enorme sensação de conforto, como se toda minh’alma,
feito um camaleão, aderisse a cor onipresente e onisciente da casa. Havia
algumas pessoas, todas inidentificáveis pela minha consciência em nirvana, pois
parecia estar havendo ali uma pequena festa, serena feito o dia que, pelas
enormes janelas ocupando quase cinquenta por cento das paredes, iluminava todo
o interior.
Após atravessar uns tantos
quantos corredores e portas, encontrei-me em uma varanda retangular, com o
comprimento três vezes maior que a largura, onde, no final de uma das
extremidades, avistei um pequeno grupo de pessoas formando uma roda, como as
feitas para se dançar ciranda. Curioso, aproximei-me, e fui dar de rosto com um
grande amigo que há tempos não via, sentindo que a cada passo mais próximo a
ele, a saudade que lhe guardava ia aumentando, gradativamente. Qual não foi o
meu espanto quando trocamos mirradas frases e ele se retirou, abrindo uma porta
na roda humana; aproveitei a abertura e ocupei o lugar do meu amigo, e, de um
susto ao outro, vi-lhe, encostada na parede, feito uma estatua de Michelangelo rodeada por visitantes em um museu.
Novamente aproximei-me, sentindo
outra vez aquela saudade indefinível crescer em mim, pouco a pouco, até dar-me
rosto a rosto contigo, mas, desta vez, sem a coragem de proferir palavra alguma.
Qualquer cumprimento que fosse dirigido a você, ali, estragaria o meu solo de
contemplação. Após um longo silêncio, pude então aperceber-me de todo o seu
ser, que estava vestido com uma blusa de frio com capuz da cor preta,
destacando-se naquele mar de leite em que nos encontrávamos; teu cabelo era
curto, tanto quanto as poucas palavras que trocávamos, segundos antes de eu
tentar roubar-lhe um beijo, mas você virou o rosto, deixando-me apenas tocar
meus lábios úmidos em sua bochecha esquerda e vermelha. Você sorriu, corou
ainda mais, eu calei, gelei, e então a estátua de mármore era eu, sem saber
como agir, ou melhor, reagir ao seu sublime e terno gesto. Não demorou muito,
você mudou as tintas do quadro que nós pintávamos, segurando-se em minha nuca
com a mão direita, ao me dar um leve e longo beijo na boca. Ficamos assim por
um vasto tempo, sentindo as pétalas de nossas bocas se roçarem com o vento de
nossas almas unidas e em êxtase, formando um pequenino furacão de emoções que
rodeava nossos corpos.
Não tive tempo de me despedir,
nem mesmo de sentir sua boca desvanecer-se da minha; acordei bem devagarinho,
meditando, ainda sentindo uma sensação gostosa de minha alma levíssima feita um
pavão branco voando dentro do meu corpo, que também era, por agora, uma casa
branca, totalmente branca.
Augusto
Procópio - 2,2,15
22 de abril de 2015
Poesia póstuma
Por Jéfferson Veloso
Ao invés de flores brancas
Quero capim no meu caixão
Camisa barata, surrada de antemão
E uma chave amarrada em cordão
Não quero pedir que não chores
Pois a tristeza sim, prevalecerá
Mas o riso surge, mesmo disforme
Serena o coração e o faz acalmar
Olhe em volta, meu amigo
Quanta gente neste velório
Família, amigos e conhecidos
E meu corpo deitado, simplório
Mamãe vai querer rezar
E papai vai acompanhar
Não se assuste nessa prosa
Sou de família religiosa
Pra onde vou?
Confesso que disso eu não sei
Mas lembre-se
Lembre-se de quem fui ou sou
Talvez lá eu estarei
Na caminhada para o enterro
Estranho pode parecer
Mas dizer isso seria um erro
No nosso suposto "último rolê"?
Me enterre em terra molhada
Em túmulo simples e sem concreto
Pois este chão que será meu teto
Terá flores vivas na porta de entrada
Só sei do que sou agora
Pois quando eu era, já não sou mais
Quando serei, só depende da hora
Desse tempo contínuo que se/me desfaz.
Ao invés de flores brancas
Quero capim no meu caixão
Camisa barata, surrada de antemão
E uma chave amarrada em cordão
Não quero pedir que não chores
Pois a tristeza sim, prevalecerá
Mas o riso surge, mesmo disforme
Serena o coração e o faz acalmar
Olhe em volta, meu amigo
Quanta gente neste velório
Família, amigos e conhecidos
E meu corpo deitado, simplório
Mamãe vai querer rezar
E papai vai acompanhar
Não se assuste nessa prosa
Sou de família religiosa
Pra onde vou?
Confesso que disso eu não sei
Mas lembre-se
Lembre-se de quem fui ou sou
Talvez lá eu estarei
Na caminhada para o enterro
Estranho pode parecer
Mas dizer isso seria um erro
No nosso suposto "último rolê"?
Me enterre em terra molhada
Em túmulo simples e sem concreto
Pois este chão que será meu teto
Terá flores vivas na porta de entrada
Só sei do que sou agora
Pois quando eu era, já não sou mais
Quando serei, só depende da hora
Desse tempo contínuo que se/me desfaz.
| Desenhado por Thiago Moreira |
18 de abril de 2015
Artista?
Por Jefferson Veloso
Artista não come
Pois mata sua fome
Na sua própria incerteza
De que sua arte sem nome
Banhar-se-á em bendita beleza
Pois mata sua fome
Na sua própria incerteza
De que sua arte sem nome
Banhar-se-á em bendita beleza
Artista não trabalha
Em sua luta diária
Por um cigarro de palha
E nas noites sem dormir
Stanislavski dizia e clamava
Seu teatro ideal de seguir
Artista?
Não vê o tempo passar
Em suas malditas imaginações astrais
Não ajuda com o futuro do país
Desenhando seus sonhos de arte e afins
Artista não é desse mundo
Não é desse tempo
É só mais uma folha no vento
No telhado de qualquer Raimundo
Cachê?
Artista quer um nome
E também quer arroz e feijão
Sua corrida é planejada
Para sua fama e seu pão
Cada um com sua cruz
Artista também é trabalho
Trabalho que encanta e seduz
Mas onde se rala pra caralho
Sem cultura não temos nada
Sem nada, nada sabemos
Cultura morta
Sociedade condenada
A viver
Na
Maldita
Rotina
Assinar:
Postagens (Atom)




