7 de fevereiro de 2013

Amor em Cadeia

por Bia Sz

Se não posso amar livremente,
Que eu possa fazer amor na cela de uma prisão.


Prisão de meus pensamentos,
Minha cadeia de ideias,
Onde a expressão se faz livre,
Mesmo como um passarinho engaiolado 
Em cativeiro.



Se não posso amar ao ar livre, 
Sem amarras e grilhões,
Sem rumo nem direção,
Que me seja dada a escolha
De prender-me em meu refúgio,
Escuro e congelante,
 Fogueira de minh'Alma.


Com a possibilidade de amar 
Verdadeiramente.




























imagens: 
1ª aaessenciadaalma.blogspot.com; 
2ª http://caminhoshumanosedivinos.blogspot.com.br/2012/01/as-cores-do-coracao.html

6 de fevereiro de 2013

Do leitor (I)


Nem tudo está perdido

Ler um livro pra esquecer. Ler um livro pra aprender.
Entrar na história alheia e imaginar-se fazendo tudo conforme a vontade de seu autor.
Ser intensamente feliz. Ficar triste só por um instante. Ser gente, ser bicho. Ser tudo e ser nada.
Sem sair do lugar visitar novas paisagens, conhecer pessoas. Descer as águas de um rio caudaloso, subir a montanha para no topo encontrar algo bom.
Sentir cheiros. Experimentar sabores. Viver emoções.
Fugir da realidade e voltar a ela em segundos.
Ser amado. Ter um filho. Morar numa casinha branca com flores na janela. Trabalhar com aquilo que se goste.
Ser, viver, ter tudo o que não se é, não se vive, não se tem na realidade.
Viver em outro tempo. Noutra era. Ter outra sorte.
Um mundo imaginário.
Até que o livro se fecha. A história se acaba. Então percebemos que somos um pouco das nossas escolhas, dos nossos erros, da própria dor, dos nossos sonhos.
Pra quem aprende a sonhar nem tudo está perdido.
Quem acredita no melhor, busca o melhor. 
Sorri, chora, vive tudo e supera. Consegue o que é bom a seus próprios olhos.
Escreve a própria história como nos livros que, a maior parte das vezes,
terminam com final feliz!

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Que este seja o primeiro de grandes textos enviados por nossos leitores. (Jéfferson Veloso)

2 de fevereiro de 2013

Coragem

por Bia Sz

Respirou fundo...
E num jorro constante, começou a palavrear:
- Você... Desde muito tempo tem iluminado meus dias,
ainda que tudo o que eu visse pela frente fossem as nuvens
cinzas de um dia chuvoso.
O seu jeito de andar displicente, como se o mundo fosse tão simples quanto
andar pela calçada e sentir a brisa balançar suavemente seus
cabelos, me deixam sem ar...
Porque deixo para você todo o ar desse mundo.
E seu sorriso... Ah, o sorriso...
Grande e misterioso, tão cheio de si e ao mesmo tempo tão
tímido.
Quando você sorri, forço-me a sorrir contigo, porque me pego pensando
na felicidade que sinto ao ver surgir dois buraquinhos em suas bochechas.
O seu jeito de falar, de se vestir, de rir de coisas que
não consigo entender são tão simples e tão
importantes para mim!
Você é uma Poesia em forma de gente..
Belo e Subjetivo como só a subjetividade poética
pode ser bela.
Menino Grande... e Rapaz Pequenino...
Juntando tudo em um só corpo e me fazendo
suspirar só de pensar...
E me pego pensando nos sonhos e sonhando acordada com o cheiro suave
do seu perfume
Quase como se o cheiro já me pertencesse
Ou me fosse indispensável.
Como acho que é, realmente.
Talvez, depois de todo esse tempo observando e criando
para mim uma fantasia na qual eu guardava você,
eu tenha criado coragem para dizer...
- Samantha...? Tudo bem como você?
Olhando para o lado, ainda absorta, ela percebeu que ele estava ali, bem ali, olhando-a intrigado e com um início de riso no rosto.
- Tive a impressão de que você queria falar comigo - ele disse, sentando-se próximo e passando a mão pelos cabelos molhados - Estava me olhando, mas quando chamei você, parecia não me ouvir.
Ele riu, e o estômago dela revirou.
- Então...? Quer me dizer alguma coisa?
Engolindo seco e pegando rapidamente a mochila, Samantha foi dizendo:
- Na verdade não, eu... Acho que estava apenas pensando. Você estava ali, e eu devo ter parecido olhar para você, mas... Não. Eu tenho que ir. A gente se vê!
E saiu, sabendo que mais alguns minutos perto dele e seu rosto estaria mais vermelho que o que de mais vermelho há nesse mundo.
Enquanto ela andava, os passos largos e os cabelos ao vento, só o que ele pensava era em como gostaria que ela lhe dissesse algo que se assemelhasse ao que ele, há muito, sentia..



31 de janeiro de 2013

Poesia &m Letra (I)

Por: Rafael Mota
         


          

          Eufórico como de costume, hoje quando ouvia uma playlist cirurgicamente desorganizada e andava pela cidade, pensei em começar uma série para o blog. Com os fones já como partes inerentes dos meus ouvidos, Roger Waters parecia estar em minha frente a olhar diretamente pra mim, Renato Russo me dava tapinhas nos ombros e Gessinger me dizia com os olhos e com um sorriso sincero na cara: "Faça isso, garoto!" Pois bem, é o que farei. Não sei com que regularidade aparecerão novos posts, talvez semanalmente, talvez mais frequente que isso. Maldita euforia! As postagens irão conter letras ou trechos de letras de variadas músicas, variados estilos, variadas línguas e variados gostos, claro. Letras que me inspiraram e me inspiram, letras que inspiraram gerações, letras que ninguém conhece, poesias em forma de canções. Aliás, música e poesia são, há muito tempo, um casal perfeito. Eternamente entrelaçados em algum lugar sagrado. Pode ser que eu queira, vez ou outra, acrescentar alguma informação, alguma nota ou explicação nos posts, com o tempo isso tende a ficar mais comum.
          O objetivo da série é compartilhar de um pouco de cultura musical, às vezes um pouco de informação, quebrar preconceitos e principalmente compartilhar boas músicas, letras que são mais para refletir do que para simplesmente "curtir". Se eu não fosse apresentado à boa música desde pequeno, sabe lá o quão pouco poético eu seria, se é que seria, se é que sou. Benditos irmãos mais velhos que ouviam músicas de qualidade, não sempre, mas com frequência considerável. Graças a eles. Graças a internet. Graças ao antigo toca fitas que me salvava do tédio em casa e na carvoaria onde ia com meu pai e minha inseparável fita (gravada por mim mesmo) do Detonautas. Graças ao Detonautas, ao Pensador, graças ao Rock, graças ao Rap... Graças a variedade cultural.
          Hoje, mais do que nunca e menos que amanhã, percebo que uma boa música independe do gênero, se tem letra ou não (sem letra quer dizer instrumental, não entendam de outra forma), independe de qual país seja, com qual língua foi escrita ou de quais instrumentos foram usados na composição da mesma. Boa música é toda aquela que consiga passar a mensagem, o sentimento. Boa música é a que tem voz, é aquela que serve como o transmissor, conectando o músico ao ouvinte, passando a mensagem desejada. Postarei nesta série músicas vivas, que dizem por mesmas as mensagens que precisam ser ouvidas. Boas músicas graças à poesia e, muitas vezes, graças a euforia do poeta compositor. Espero que gostem.


                                                                                               ______


          Como este é o primeiro post da série, a primeira poesia em letra - que é bastante conhecida -, não acrescentarei muita coisa, até porque nem precisa, pois esta é bem autoexplicativa e ao mesmo tempo profunda. Cada um tem seu modo de interpretar, cada qual com seu ponto de vista, e essa é uma das magias da poesia. O fato é que esta música me inspira bastante, sempre que o aleatório de minha playlist me agracia com os versos do Legião eu começo a cantar sem ver, me empolgo e... Quem nunca? Amo a reflexão que esta música traz e quase consigo tocar a carga de energia escura e desprezo pela humanidade em cada estrofe. Talvez por isso eu me identifique tanto. Essa indignação pertence a mim. Não preciso falar mais, até porque tal música é a chave da inspiração para um dos textos que postei aqui no blog, não só ela, mas o desprezo para com a humanidade também. Desprezo tal que percebi quando me deram espelhos, assim pude ver meu mundo doente. Quem me dera, ao menos uma vez, que todas as pessoas refletissem sobre essa música, ou sobre qualquer coisa mais complexa do que futilidades do dia-a-dia.

                                                        
 


                                                                            Índios - Legião Urbana


Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.


                                                                                      Arrepios e mais arrepios.

29 de janeiro de 2013

gotas de Liberdade

por Jéfferson Veloso.


A chuva cai lá fora
e eu aqui trancado em um quarto de apartamento qualquer
dizendo a mim mesmo que estou seguro da maravilha caída do céu.

A chuva cai lá fora
e eu vendo cada gota se escorrer pela janela
imaginando que se tal não existisse
seria em mim que haveria o escorrimento de tamanha beleza.

Lá fora
Eles se protegem
Inexpressivos
Calados
Sugados pelo sentimento de auto-proteção
Alguns procuram abrigo por baixo de telhados ou varandas
Alguns vestem suas armaduras em forma de capa
Outros com seus guarda-chuvas em posição de escudo
Procurando alguma forma de fugir de algo que não veio fazer mal algum.

chuva...

Eles estão tomados por este sentimento ininterrupto de medo
E eu aqui, me apoderando em inspiração
Me perguntando o que estou fazendo do lado de fora da chuva

Da mesma forma que um dia me disseram que ela era a vilã da história
Quero mostrar-lhes que a chuva é a mais bela mocinha
Só esperando alguém para amá-la.
E ela não tem pressa disso
aparecerá sempre que puder,
e, aos poucos, eles irão perceber que ela sempre ficou do nosso lado
E da mesma forma que um chuvisco pode se transformar em tempestade
Nossos sentimentos também podem mudar.

E eu aqui, escrevendo para você
Adorável chuva
Escrevendo para você, enquanto cai aí, do outro lado do vidro da janela
Aqui, trancado
me sinto na dúvida se estou protegido ou preso
dentro deste cubículo de cimento e areia
ao mesmo tempo em que tu cais aí fora
vangloriando sua total liberdade...




-



Se precisarem de algo, me procurem na chuva.
Estarei onde ela estiver.

26 de janeiro de 2013

Fragmento do intangível


Enquanto ainda irrompem lampejos de poesia
Há sangue nos altares de pedra
Existe fome nas avenidas
E encanto nas folhas que não desabam
Micro espetáculo de miudezas desimportantes

Corações corroem-se em misérias e egoísmos
Corpos desiludidos e expressões vagas
Copos vazios e mentes doentes
E miolos espalhados pelas paredes
Quando comprimidos não solucionam a incompreensão

Entulho nas arestas das horas
Desesperança no asfalto morno
Ápices inatingíveis e fossos inescapáveis
Panoramas ideados para pulverizar a solidão

Falsos esboços
Bolsos rasgados
Trocados miúdos
Refluxos estéreis do cotidiano
Sopros do tédio
Ruína dos anseios previstos

Máscaras que sufocam os fins
Mentiras abafadas no solo das ficções
Sussurros inaudíveis e renúncias estridentes
E abandono

Descrença no amanhecer
E delírio
E devaneio
E desassossego.

É improvável não sofrer no oscilar hipotético e indiferente do destino
A mais coerente das razões é ainda fragmento do intangível
E a súbita emoção, resplendor do inexistente.


De André Araújo, retirado de Colettivo.

23 de janeiro de 2013

DesIndivíduo




Sou de tempo algum...

Sinto saudades das armas brancas,
Do tempo em que brincávamos de ser especiais,
De quando gritávamos pelas rues longues
Unidos por uma só frase.

Sinto saudades dos reis e rainhas,
Do tempo em que galopávamos ao vento,
Nos largos campos cheirando a mato fresco e orvalho,
Unidos por um sentimento.

Sinto saudades dos tempos modernos,
Do tempo em que tínhamos voz ao ficarmos em silêncio,
De quando as ruas eram pequenas
Unidas por uma só sede.

Sinto saudades da abundância de tecido, das tintas em corpos dançantes,
Do tempo em que as roupas não nos usavam, da nudez
De quando cantávamos ao fogo
Unidos por uma só crença.

Sinto saudades daquela prisão,
Do tempo em que nos humilhavam enquanto sorríamos de chorar,
De quando nos espremiam
Unidos por apenas ser.

Sinto saudades daquelas montanhas,
Do tempo de cavalos magros e mulas,
De quando heróis coexistiam
Unidos por um ideal.

Sinto saudades da terra dos grandes dragões,
Do tempo em que ser natural era inteligente,
De quando não havia a gente
Unindo pedras para destruir.

Sinto saudades da antiga escravidão,
Do tempo em que os escravos ao menos sabiam ser,
De quando a vida do senhor era um preço justo
Pela união dos oprimidos.

Sinto saudades dos velhos deuses,
Do tempo em que estes representavam tudo o que há de bom,
De quando não nos aprisionavam em representações e promessas,
E de quando se uniam em harmonia.

Sinto saudades da grande explosão,
De certa forma nostalgia e admiração,
E de tudo que sinto saudades,
Anseio que volte ao uno.

Sinto saudades de hoje e de ontem,
Não mais do amanhã,
E de tudo o que eu almejava
A poeira se espalhando nem sequer pousou.

Sinto pena de mim e do mundo,
Enfermos com a mesma doença,
Porém eu só tenho os sintomas
E a cura, infelizmente, ele não há de encontrar tão cedo.

Sinto saudades do vazio,
Do tempo e do espaço,
E de não me sentir perdido neles,
Pois sequer me sentem, pois sequer sinto.

Sinto-me aqui
E ao mesmo tempo antes.
Tenho saudades da certeza
De que não pertenço ao amanhã.

...sou de lugar nenhum!