24 de agosto de 2013

XLIV

O Grito - Edward Munch 1893

Tão triste é esse vício e que me faz
Estar-me, descontente, por contente,
Com tudo aquilo que, por vez demente,
Fazia-me contente e já não faz.

É como à lucidez de uma doença,
Que o grande mal se mostra só em sabe-la,
Teimar, ainda sim, em protegê-la
Da cura que é a razão, e não a crença.

E crer que a doença o bem me faz,
Ao evitar que dela eu me melhore,
É a ilusão de um gozo tão voraz.

Que benefícios essa cura traz,
Senão só evitar que eu deteriore,
Ainda que não dê, do vício, a paz?

08/02/13

23 de agosto de 2013

Uma madrugada palacial



Como por um manto sagrado, encontro-me envolta numa manifestação de cultura com a qual nada se compara. É como se o mundo parasse de girar e se estagnasse, olhando ao redor do seu próprio eixo o resultado dessa intervenção.

Uma nuvem bem gorda, repleta de chuva, paira ao redor das milhares de cabeças. Chuva que mata, mata a ignorância, jorrando inteligência em cima de quem escolheu se molhar.

De onde estou, vejo muitos olhares, repletos de muita coisa, no aguardo espetacular.
E através dos meus próprios olhos, brilho o mundo, atravessando essa fria madrugada.



Por Bia de SouZa

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22 de agosto de 2013

Sexy Boca.

Por Bia de SouZa

A minha boca anda tarada por uma mordida.
Por um toque suave, aveludado e cremoso
Um chupão gostoso, de fazer salivar.
Fica pensando, sozinha, suspirando
Esperando o momento para um bote bem dado
Dar.
Ela quer um momento, um só momento
De prazer infinito, memorável
Cheio de tesão
O clímax perfeito, repleto de despudor
Lambendo os lábios com
Satisfação.




A minha boca anda louca por um
Chocolate.

Constatar



Quando finalmente supomos ter superado
os Pesadelos mais assombrosos
Descobrimos estar apenas sendo testados
pelos espíritos viventes de nosso
Desespero.


Por Bia de SouZa

21 de agosto de 2013

A cor amarela

A cor amarela


Mais fácil é associar valores à beleza do que à feiura. Para mim, e, creio eu, para muitos, a arte é aquilo agradável aos sentidos, portanto, dificilmente diremos que algo feio poderá ser considerado arte, ou até mesmo algo simples. Este é então o maior dilema, e maior trabalho, de um poeta, sublime amante da simplicidade: como tornar a simplicidade bela? Como representá-la dignamente, à altura das demais obras de arte, muitas vezes complexas? Bastar-lhe-á, então, deixar que seu maior sentido, e mais verdadeiro, o guie, ou até mesmo fale por ele, e que é a sua paixão pelas coisas. Sim, a paixão é o maior e melhor sentido de um poeta; através dela, ele é capaz de tornar belo tudo o que vê e que lhe desperta algum sentimento, mesmo que seja um corpo humano apodrecendo após a morte, a impossibilidade de realizar um amor ideal, muitas vezes inexistente, ou a inevitável e comum dor do fim de um grande amor.

Hoje, lembrei-me de uma música interpretada por Caetano Veloso, na qual ele fala sobre a onda que dá quando se vê o intenso amarelo de um biquíni destacar-se entre o mar e o marrom da pele tesa dela; tal onda, psicológica e não marítima, é belamente acentuada com os agudos da guitarra ao fundo da canção, tornando ainda mais belo esta cor tão comum, presente em quase tudo, que é a cor amarela. Estranho lembrar-me disso, e até um pouco prazeroso, talvez o mesmo prazer proporcionado pela onda de Veloso, pois é assim que eu me sinto quando ouço longe, aumentando gradativamente, o ronronar dos motores dele, e vejo seu estridente amarelo crescer no horizonte de uma rua qualquer. É o melhor que podia acontecer, durante essas férias, ver destacar-se entre o vidro e o amarelo o azul dos olhos dela.

19 de agosto de 2013

XIII

Os anos vão passando lentamente
Levando antigas dores e agonias,
Para mais nos caberem alegrias
Que vamos conquistar continuamente.

E vamos aprendendo levemente
Que sempre após as longas euforias
Virão nos contemplar as calmarias,
Mantendo um equilíbrio já vigente.

Por isso, ó, querida, dê valia
A sua juventude eternizada
Por este glorioso e belo dia;

Receba os parabéns, e, confortada,
Lembre-se que viver é a melhor via,
E um dia chega ao fim a caminhada.

A Samara Lima, pelo seu aniversário!

17 de agosto de 2013

Beleza??

Por Bia de SouZa


Beleza: Termo mais relativo e pré-conceituoso.
Estabelecer algo como belo ou não passa necessariamente pelas subjetividades e múltiplas opiniões de cada um.
Num mundo tão fútil, cheio de vazios e recheios de ar, endender algo como dotado de beleza pode ser tão perigoso como uma bomba atômica!
Não. Sou mais racional e extremista.
Acho que a Beleza é como um "bem de uso comum do povo" e de tudo o mais.
Geral. Generalizada.
Bela é a flor em botão, que nem mesmo desabrochou e fica no aguardo de uma chuva fina, de um sol quentinho e de muita fotossíntese para resplandescer. Mas também é bela a flor já sem vida, caída no solo, esperando o vento a ela varrer.
Belo é o livro novo, com cheiro de plástico, esperando pelo primeiro ávido leitor. E belo é também o livro rasgado, surrado e sem capa, que já foi útil a tantas mentes e olhos famintos.
Bela é a menina fotogênica, de rosto e de corpo, que se mostra e agrada nas redes sociais. E tão bela quanto é aquela que prefere ao invés de seu corpo, mostrar a beleza de seu pensamento, sem medo de errar.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Allisvanity.jpg/240px-Allisvanity.jpgBelo é o barulho do sino dos ventos, que nos permite meditar até em meio ao caos de uma cidade grande. E quem haveria de negar beleza à poluição sonora, visual e olfativa, se é nela que a maioria de nós encontra moradia?
Belo é o moço galã, bem sucedido, que aparece em comerciais de pasta de dente. E belo é o menino que prefere dar de comer àqueles que mal tem condições de pensar no que é beleza.
Bela é a poesia rimada, em soneto e métrica intocável, arte de poucos e feita para apreciação geral. Ora, se não é bela a escrita sem gramática correta, sem firulas linguísticas, e que atinge até mais do que tão bela criação poética?
Belo é o amor, sentimento por tantos falado, sentido, cultivado. E belo é, pois, o ódio, que permite - apenas a título exemplificativo! - uma série de escritos fantásticos, filmes e documentários, e até mesmo a percepção do que é, consequentemente, o amor!
Ah! Fácil dizer que bela mesmo é a Vida! Pois é nela que se verifica tudo aqui antes comentado. Mas vejo uma beleza delicada na morte... Uma beleza fúnebre, quieta e até mesmo misteriosa. Como se ela nos dissesse que sem a sua certeza, não pensaríamos em fazer muitas das coisas boas e belas que praticamos todos os dias, mesmo sem perceber.
Por isso, generalizo a beleza e renego quem diga o contrário!
Somos Beleza, emanamos gostosuras e trevessuras repletas de lindas nuances.
Deixemos de lado a pieguice e os clichês e passemos a curtir aquilo que temos de melhor, que somos nós mesmos, tão mundanamente.
Beleza?