27 de novembro de 2013

Visão Poética

 
 
A poesia está nos olhos de quem lê,
Colorindo o coração de quem sente.
Leio o sentido poeta,
Presente,
Sabendo de cor
A cor dos olhos dela.
Imagem:
http://www.spiderwebs.com.br/2013/01/os-olhos-da-esperanca-sem-cor.html
 
 
 
Por Bia de SouZa

22 de outubro de 2013

Ymago

Os mortos,
agora,
já não mortos,
espreitam.
Os caminhantes, fragmentados
pareciam fantasmas.

por Thiago Augusto Machado

Soneto Desejoso

"Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino..."
A uma mulher - Vinícius de Moraes

Desejo-lhe assim, como uma alma
Que quer somente um corpo p'ra habitar
E nele o bom pecado desfrutar
(Aquele que acalenta e nos dá calma).

Sentir cada centímetro da palma
De vossas mãos queimando a me tocar,
Os dedos, delicados de se olhar,
Fazendo-me um piano, onde se espalma.

Desejo-lhe, e é por lhe desejar
Que venho lhe escrever só e moribundo
Os versos de um sonho infecundo.

Desejo-lhe, não posso mais negar,
E por lhe desejar assim, profundo,
Desejo-lhe como quem quer o mundo!

21,10,13

18 de outubro de 2013

Do amor de Baco por Psiquê

Psiquê e Eros, de Jacques-Louis David

Fui ao psicólogo
e ele, sorrindo, disse-me
que maneira mais fácil de se curar
de um vício incurável era
simplesmente arrumar outro vício;

precisava urgentemente
parar de beber, fumar e usar
outros alucinógenos e calmantes.


Foi então que eu conheci você,
e, por você, parei de beber e me drogar,
pois por você, minha maior droga,
eu fui me apaixonar!

13,10,13 

16 de outubro de 2013

Monday

     Inescrupuloso. Ininterrupto. Seriam palavras que resumiriam meu sentimento desconsolado de dormir às cinco e meia e ter que acordar meia hora depois. Se bem que, se tivesse algo para fazer e repetir, com certeza seria o que eu faria.
     
     Eram dez horas de uma noite fria e tenebrosa, que mais tarde, como um camaleão sob atitude suspeita, transformar-se-ia a ponto de perder sua essência e se dissipar, se perder e misturar-se a outras doravante percebidas.  Tudo era pacato e chato. Outros humanos se divertindo, digladiando entre si por um mísero pedaço de um farto banquete, dançando ao som de uma musica indesejável e inconveniente,  tudo normal.  Mas algo me fez sair desse estado de introspecção e fuga dessa débil realidade. Um ser de lábios cálidos, olhar gélido e pele morna. Merda. Aquela imagem chegou de supetão deixando a mim, um ser tão frio e pessimista, com sensações desconcertantes.
     A festa parou. Para mim é claro. Espere, eu já a havia visto em um sonho dois ou três dias atrás, e a mesma sensação. Dei um passo à frente, mas voltei. Recuei como um coelho sob o ataque funesto de um lobo dos Alpes. Mas, por quê? As mulheres eram tão previsíveis para mim, seus movimentos eu previa, seus pensamentos eu lia e seus lábios eu beijava, mas de forma apática e sem emoção. Sim, emoções eram proibidas.
    Mas, como a seta disparada por um exímio arqueiro, ela deu um passo em minha direção e disse, de forma bucólica e ambígua.
   - Oi.
  Bom, eu respondi com um ar letárgico.  Seguiu-se então um diálogo qualquer que não me convém falar-vos por agora.
Quando dei por mim estava falando sozinho, com um copo de whisky e uma imagem inculta no fundo do copo. Enquanto isso ela estava no outro lado do pequeno salão conversando com algumas pessoas.
   Mas espere, em um momento abrupto ela se desprende daquele grupo, daquelas pessoas, e corre em direção a um dos quartos da casa. Ela passa por mim e o reluzir de uma lágrima maculando seu rosto limpo, deixando um rastro desastroso e a sulcar sua gélida face,  incomoda-me os olhos. Em um instante sutil e maquinal, como se não houvesse outra opção eu a sigo, e ao entrar no quarto, a única imagem que me recordo é a de seu corpo tristemente mórbido sobre a cama.
    Sentei-me ao seu lado. Perguntei-lhe o que havia ocorrido. Ela, por sua vez, com uma voz trêmula, cujas sílabas eram interrompidas e dificultosas pelo correr das lágrimas, respondeu apenas com um apertar, aflito, dos olhos e da minha mão. Sinceramente, talvez o motivo de fato não me importasse muito. Acheguei-me ao seu lado e ela colocou sua cabeça em meu colo. Senti o deleitar de seus cabelos apátridas descansando sobre a superfície trêmula das minhas pernas. Concupiscentemente  deitei ao seu lado, e vendo a escuridão de sua cabeleira voraz a me aliciar fui sorvido para uma dimensão desconhecida, restando apenas à sensação, cumprir seu dever ingrato de desvendar o que era o objeto incômodo preso ao meu punho, que desconcertava nossas atadas mãos.
Como um desalmado que acaba de voltar do hades, acordei procurando o precioso ar que eu tanto precisava, já irritado - ou totalmente amedrontado ainda não sei – olhei para o despertador que estava a me aborrecer no bolso do alheio parente ao meu lado. Eram seis horas de uma segunda-feira pacata e rotineira.  Olhei para o lado direito, com certo desconcerto no pescoço, e contemplei um grupo de pessoas eufóricas olhando em minha direção e com gritos ensurdecedores diziam que alguém havia acordado. Cinco anos em coma? Sim caros leitores, eram seis horas da manhã de uma segunda-feira sem escrúpulos.

Por: Victor Vinícius A. Mendes

9 de outubro de 2013

As coisas bonitas da vida

 
 
Tenho vontade de escrever sobre coisas bonitas. Sobre as cores fortes das flores nos jardins da praça, sobre o arco-íris em dias de chuva, sobre a relva molhada pelo orvalho da manhã.
 
Tenho vontade de escrever sobre poemas rimados, cantados e românticos, repletos dos mais vastos sentimentos, que encantam a alma com um simples verso.

Tenho vontade de escrever sobre as pessoas, sobre os sorrisos ao ouvirem uma piada boba, sobre os abraços apertados quando matam a saudade, e sobre as borboletas no estômago ao encontrarem a pessoa amada.

Tenho vontade de escrever sobre o sol, sua luz e seu calor, que enchem a Terra de vida e fazem brotar vida da terra. Escrever sobre os dias negros, sem luz, daqueles bem frios, que nos deixam com aquela preguicinha gostosa, boa para assistir a um filminho com pipoca e guaraná.
 
cores

Tenho vontade de escrever com lápis de cor, cada palavra num tom diferente, criando uma mistura visual tão grande a ponto de ficarmos tontos. Riscar as paredes com tinta, pincelar rostos com maquiagem, tornando a vida uma verdadeira brincadeira de criança.

Tenho vontade de escrever sobre as coisas belas existentes.

 
 

 

Mas não escrevo. Porque sei que não sou capaz de captar a beleza e eternizá-la em meras palavras bonitas.


Por Bia de SouZa

Imagens:


8 de outubro de 2013

Fado Elegíaco

Irmãos Hypnos (sono) e Tânatos (morte)
John William Waterhouse, 1874

Sinto a morte
como tentadora irmã,
onde eu possa em teus ombros repousar;

Vejo gélidas
tuas mãos com dedos finos
os meus cabelos ralos afagar;

O teu canto
embalando o meu sono
que chega levemente e sem cessar;

No teu colo
eu me deito sem pudor,
pois sei que ali não vão me perturbar;

E ali sonho,
como quem escreve poemas
e tem somente versos a deixar!

8,10,13