11 de junho de 2015

Em noites de Lua Black Power...

Por Jefferson Veloso


Sou do inverso, pretexto fachado
Amargo da língua em lua minguante
Seu cheiro chegava em tom marcante
Como a marca que sai do ferro queimado

Suas luzes são tão vivas
Seus olhares, seus amores
Da sua espera até sua ida
Seu simples mundo de várias cores

E sonhar um lindo sonho num simples quarto verde...


2 de junho de 2015

A Cazuza

Não me pediram para olhar
Cada passo que percorre 
A vida torta

Não me perguntaram se eu gostava
De ver a cada esquina
Uma nova felicidade

Não me disseram que seria fácil
Nem mesmo possível
Apenas deram-me o roteiro para decupar

Não me questionaram opinião
Sobre o passado rasgado
Ou o futuro perdido

Não me deram chance
Não me deram forma
Não me deram
Não

Olhei e vi
Respondi e andei
Decupei e sofri
Perdi e ganhei

Andei pela vida
Largando para trás o tempo sentido
Pulei os furos inflamados
Os pesos doídos
Voei descalço
Sorri divertidamente leve

Ninguém me disse que olhar para trás não apertaria
Compactei

Num disco de baixas melodias

Bia de SouZa




12 de maio de 2015

Retrato a Tainah

Movido fui a escrever,
Às vozes do tempo clássico,
Ao teu louvor e prazer
Sumamente literário,
Este canto eclesiástico.

Tens nos olhos um querer
Oriental de natureza,
Que às Gueixas vem oferecer
Liberdade ocidental
Sem a mentira ou surpresa.

De medusa, os teus cabelos
Revoltos e em movimento,
Cristalizam-se-me os olhos,
Feito mármores marinhos,
Quando os vejo a todo tempo.

Tens no queixo alexandrino
As curvas de toda a história;
Desde as artes de menino,
De um adulto o aprendizado,
Até dos velhos a glória.

Co'a soberba de um Augusto
E beleza sem limite,
Sustenta-lhe o resto o busto
Com tamanha maestria
Que dá inveja até a Afrodite.

Este teu retrato pinto
Com as cores da liberdade,
E quando canto, não minto,
Pois não existe exageros
Quando se impera a verdade!

11,5,15

11 de maio de 2015

Medusa

Os seus olhos de medusa
Transformaram-me num quadro,
E as cores, de tão difusas,
Preencheram-me um adro

Que da acesso u'a sala lusa
Com azulejos sagrados,
Onde uma imagem confusa
Está a servir-lhe de ornado;

Esta estátua vil abusa
De ter o seu nome herdado,
E julga-se ser a musa
De meu sonho consternado.

A.P.

8 de maio de 2015

Batalha

Por Jefferson Veloso



No sofrimento que assurgires
E nãos ilusões da vida sofrida
Esqueça as batalhas simples
A maior guerra é antes da vida

Milhões e milhões de vocês
Procurando vaga para existir
No ovo que em si fecunda
O big-bang natural de surgir

Vida esta que começa
Batalhou antes de ser
Mas se esquece de que quand'era
Brigou bravamente para ser você



7 de maio de 2015

Quero

Por Jefferson Veloso



Cachaça que vem da cana
Desencana meu saber
Me faz ser mais sacana
Sacando o que quero fazer

Marijuana que dá brisa
Mais em conta tu me faz
Faz surgir a calmaria
Com a risada fugaz

Opostos que se atraem
No doce este que é amargo
Ou sem gosto de miragem
Dos dragões nos quais afago

Cada qual com o seu nome
Cada efeito sua viagem
Onde encontra ou talvez some
Caminhos novos que o (des)fazem




3 de maio de 2015

Singelo

Por Jéfferson Veloso



Num colchão bem macio
Ou no chão de sala qualquer
Como pão bem quentinho
Ou torradinha com café

Chá de camomila
Produto que sai da terra
Sachê cheio de vida
Vida que sai da caneca

Biscoito de trigo e leite
Com chocolate bem quente
Desenho completa o deleite
Do prazer que se faz presente

Café preto e bem coado
Coador de pano certeiro
Pão de queijo agraciado
Que agrada o povo mineiro

De manhã cedo e chocolate em pó no copo
Vai no curral e acompanha a ordenha
Pra sentir o fenômeno natural
De tomar leite fresquinho da teta

Maçã e banana que acalma
Chá de romã que acompanha
Para o descanso do sono prevalecer
E acordar com xícara de café
Enquanto assiste o Sol nascer