Imagino os dias quentes e carnavalescos
E as úmidas noites francesas
Percebo um suave sorriso em sua boca
E desejo seu brilho molhado
Imagino nossa casa mal arrumada
A carteira esquecida na sala
E a gente atrasando outra festa
Pois nunca resisto ao seu brilho
Imagino a caixa de correio
E o cheiro de piscina no ar
Que te atrapalha a focar na carta
Que ainda não acabou de ler
Imagino a minha reação ao te ver
Percebo em mim uma sensação conhecida
Pois toda vez que te vejo
Ela bate bem forte no peito
É que basta olhar pro futuro
Pra imaginar aquele nosso mundo
Tão imperfeito como a noite dos sonhos
E tão perfeito como o calor úmido dos nossos corpos em contato
Imagino, por fim
Sua pele de neve macia
O seu toque
Sua magia
Que me traz o tesão pela vida
No calor que o atrito provoca
Toda vez que seu corpo me toca
2 de junho de 2016
5 de fevereiro de 2016
Vício
O dia começa e já me vejo lá
O sorriso bobo me entrega
Quando um simples bom dia
Dá sentido ao que quer que eu faça
Na tarde branca eu a toco de longe
Me equlibrando em passos curtos
Não ouso correr nem parar
Pois é certo que ela me aguarda
A noite chega escondendo a luz
Mas ela sempre veste um perfume claro
Que meus lábios lêem alucinados
Tão mísicos são seus sinais
Ao fim da noite e da dose quente
Como um viciado feliz
Acelero até meu aconchego
Só pra sonhar o dia seguinte
Como se já não fosse um sonho
Amar alguém assim
O sorriso bobo me entrega
Quando um simples bom dia
Dá sentido ao que quer que eu faça
Na tarde branca eu a toco de longe
Me equlibrando em passos curtos
Não ouso correr nem parar
Pois é certo que ela me aguarda
A noite chega escondendo a luz
Mas ela sempre veste um perfume claro
Que meus lábios lêem alucinados
Tão mísicos são seus sinais
Ao fim da noite e da dose quente
Como um viciado feliz
Acelero até meu aconchego
Só pra sonhar o dia seguinte
Como se já não fosse um sonho
Amar alguém assim
7 de janeiro de 2016
Antes de dormir
Por Jefferson Veloso.
O amanhã é o verdadeiro sonho
De ir além do que já quero
Esperando uma luz que suponho
Ver dos olhos de quem talvez
nem espero
Mas que de um riso sincero
Me faça realmente enxergar
O que a vida me reserva
A muito tempo
Antes de dormir
Prometo sempre não ter preguiça
E mesmo que de pirraça
Ela venha a acontecer
Que me sirva de lição
Já se foi mais um dia
Ah! Quem me dera ideias surgissem como palavras
Que mesmo sem nexo ou outra fazem algum sentido
Pelo simples fato de aparecer em um verso simplório
De frases e fases de uma vida sem título
Dormir cedo para acordar mais cedo
Ou pra ter mais tempo de Sol.
O amanhã é o verdadeiro sonho
De ir além do que já quero
Esperando uma luz que suponho
Ver dos olhos de quem talvez
nem espero
Mas que de um riso sincero
Me faça realmente enxergar
O que a vida me reserva
A muito tempo
Antes de dormir
Prometo sempre não ter preguiça
E mesmo que de pirraça
Ela venha a acontecer
Que me sirva de lição
Já se foi mais um dia
Ah! Quem me dera ideias surgissem como palavras
Que mesmo sem nexo ou outra fazem algum sentido
Pelo simples fato de aparecer em um verso simplório
De frases e fases de uma vida sem título
Dormir cedo para acordar mais cedo
Ou pra ter mais tempo de Sol.
10 de dezembro de 2015
Bença, vó
Por Jéfferson Veloso.
Era um garoto.
Moleque. Mais uma criança. Filho de dois perdidos por aí, no mundo. Cresceu
forte, à base de alimento e suor da família, no decorrer do tempo que passava
em seu dia a dia.
Mãe trabalhadeira,
mulher forte, mais uma guerreira.
Pai motorista, subindo e
descendo serras e ladeiras, na boleia dos caminhões de todo tipo de dono.
Todo santo
Biotônico de cada dia, fazia dar fome àquele menino, que comia e que crescia.
Fez nascer no sangue das veias, um pulsar ativo, de mais uma criança que só queria brincar de bola de gude, bola de meia.
Bendito
líquido preto, amargo e forte, sua avó quem apresentara. Droga lícita, desde a
infância consumida, hoje pra ele, se torna necessária. Pois o faz lembrar de alguém da
família, vovó Aparecida, que para explicar a falta que sentia, faltam-lhe poucas
e boas palavras.
Vovó
Aparecida. Indiazinha criada na roça. Sem muitas noções de vida, com seu
sorriso sempre trazia uma boa prosa, “quentand’no Sol’iôtrodia”. Antes pegar o sol que já
nascia n’outro dia, vovó Aparecida assistia Teletubbies enquanto a água do café
esquentava. Era pão de queijo, bolo, pão de sal e margarina que ela, com muito amor
envolvido, preparava, por ter o prazer de ter acordado mais um dia.
O garoto não
sabia o porquê, mas em sua cabeça vez ou outra criava a vontade de perguntar à mãe:
“Posso
ir na vovó Aparecida?”
“Pode, mas quando voltar, “compra” pães.”
“Pode, mas quando voltar, “compra” pães.”
E ele lá ia,
correndo ou de bicicleta, ver vovó. Porque ela era legal com ele. Porque ela
havia deixado um copo cheio de café esfriando pra ele quando chegasse. Porque
ela deixava ver desenhos até a hora do almoço sem ter que lavar as vasilhas, pois pra ela, criança não gostava de lavar vasilhas.
E
principalmente, porque de felicidade e curiosidade ele ria, de ver uma dona velhinha
gargalhando sem vergonha de mostrar a falta de dentes, e ele com vergonha
porque estava de janelinha. Era uma amizade livre e segura, que sabugos de
milho por ventura, que por sua avó lhes foram entregues, para virar nas mãos do
garoto, uma grande historinha de aventura. Era ela quem lhe dava tudo que podia, mesmo que para ele, nada precisava para estar em sua companhia.
“Vai
no armazém e compra amendoim pro seu vô”. Vovó sempre pedia.
“Oba! Vou comer amendoim com o vovô”. O garoto respondia.
“Oba! Vou comer amendoim com o vovô”. O garoto respondia.
Ele só queria
saber de vê-la todo dia, e depois da escola sempre corria para os braços da
vovozinha. Sua capacidade de apreciar os simples, seu afeto por coisas
pequenas, fazia valer à pena o passar dos tempos em sua casa. E na vovó, ia
e voltava, pois seja a hora que fosse o dia, parecia que, sempre, ela já o
esperava.
Bom, vovó, o garoto continua crescendo.
Continua parecendo criança que acabou de aprender a ler e escrever. Hoje
ele joga palavras ao vento de um vendaval de histórias, para uma estrela que
hoje brilha no céu.
A falta de uma avó, que hoje lhe vem na memória as
rugas de uma senhorinha banguelinha e sorridente. que acompanhava e ajudara a
criar o crescer de mais um bom menino, mais um de seus netinhos, que hoje é mais
um dos que de ti, sentem saudade.
Faz tempo que
ela deixou esse mundo. E só criança tem a completa certeza de que a vovó quando morre, sempre vai pro céu. Hoje a criança que habita em mim surgiu para fazer o garoto acreditar que por aí, em algum lugar, vovó ainda olha por ele. E por todos que
ela amava.
Estrelas são avós.
27 de novembro de 2015
O Véu
Ela estava deitada sobre a relva molhada, amarelada por um pálido e frio amanhecer. Seu corpo estava repleto de gotículas de orvalho, que lhe faziam cócegas na medida em que se espreguiçava... vagarosamente.
Seus dedos dos pés tocaram em florezinhas roxas, que ela sabia estarem ali esperando pela luz do sol para se abrirem. Sorriu. Também ela estava à espera do sol para florir.
Sentou-se num movimento quase em câmera lenta e olhou ao redor, recebendo no rosto o cheiro de um novo dia. Tudo o que via era a imensidão da natureza. O vale florido, as árvores frondosas e a floresta que se erguia escura a alguns pés de distância. Sempre se aproximou da entrada da floresta, decidida a, "dessa vez", aventurar-se por entre suas árvores longas e retorcidas, mas nunca levou a cabo suas intenções.
Naquele momento, entretanto, viu seu pés tocarem os galhos retorcidos da primeira árvore, depois da segunda, terceira, e muitas outras. A luz que iluminava seus cabelos acinzentados fora substituída por uma escuridão quase completa, recortada por alguns finos feixes de luz que conseguiam escapar pelo túnel de galhos retorcidos que se estendiam em direção ao céu.
Ela andou por um tempo que não soube definir, percebendo que não saberia mais encontrar a saída. Entretanto, aquilo não lhe era um problema. Respirava o ar frio da floresta como quem pela primeira vez inspira ar puro e verdadeiro. Sentia como se estivesse de volta ao lar, mesmo que nunca houvesse colocado os pés ali anteriormente.
Crack!, um galho seco se partiu com ruído, assustando-a mais que o normal. Ela olhou para o chão, abaixando-se devagar e notando não se tratar de um galho, mas de uma espécie de varinha, tão retorcida quando as árvores ao redor. Nunca fora de crer em contos de fadas, por mais propícios fossem a estas histórias os locais por onde crescera. Vales verdes e cheios de animaizinhos pequenos e exóticos, castelos e casas circulares, florestas negras e ameaçadoras. Eram tantas as histórias que ouvia desde criança que aos poucos elas, ao invés de se tornarem mágicas, foram ficando maçantes e sem graça.
Pegou delicadamente as duas partes quebradas da varinha e, mesmo sabendo que era de uma tolice infantil, encaixou-as, fazendo com que a varinha se tornasse una de novo.
Um líquido prateado escorreu pela emenda da varinha e a envolveu como um véu de seda. Ela não conseguia soltar o objeto, fosse por tamanho espanto ou por alguma coisa oculta que a fazia continuar segurando-a. O líquido escorreu para as suas mãos e aos poucos envolveu todo o seu corpo, com uma cócega fria e formigante.
Envolvida numa espécie de bolha, ela se sentiu sugada para dentro do sonho que tivera naquela madrugada. Uma mistura de vozes sussurrantes, mãos sem dono e uma canção infantil que a faziam se sentir muito bem. Seus pés já não mais tocavam o chão e ela era guiada pelas mãos indefinidas em direção ao desconhecido; uma rainha louvada por súditos fiéis.
O frio e o formigamento sessaram. Ela abriu os olhos e notou que segurava apenas a parte inferior da varinha. Olhou no chão ao redor, procurando a parte faltante, mas não conseguiu encontrá-la. Não havia vestígios do líquido prateado que a havia envolvido, nem mesmo a varinha agora parecia mais do que um mero galho partido. Resolveu guardá-la, contudo, como uma espécie de troféu de sua primeira andança pelas florestas.
| Imagem: http://www.culturamix.com/beleza/mulheres/musa-da-floresta |
Olhando para frente, notou que as árvores agora se abriam para um caminho relativamente largo e iluminado por uma cor azulada. Quase na linha do horizonte, ela avistava o pequeno castelo onde morava.
Recomeçou a andar, com os olhos fixos no castelo, mas deixando o pensamento naquele lugar que ela, pela primeira vez, considerava mágico. Pretendia buscá-lo depois.
Por Bia de SouZa
21 de novembro de 2015
Licença Poética
Por Jefferson Veloso
Se é pra falar de amor
Poeta escreve o que sabe
Em versos de noite fria
Com um calor que o afague
Ou na falta dele quem sabe
Ou na falta dele quem sabe
De amor o vento é que sabe
Passa por ali
Redemunhea-se acolá
Só o vento sabe sentir
E quem sente
Quem sabe-se lá?
Falar de amor é desculpa
Um pedido de licença num coração próximo
É onde talvez passe o vento
Pra esbarrar contigo na esquina
do desdobrar da rua em seguida
Um pedido de desculpas
Seguido do olhar
De duas crianças bobas
Que não vão se lembrar
Nem mesmo o nome
Ou que roupa vestia
Mas se lembrarão
"Trombei contigo outro dia."
E por aí o amor toma conta
De um acaso qualquer
De dois desatentos
Um motivo sequer
É saber que o vento
Nasce de dois desatentos
De um acaso qualquer
E por aí o amor toma conta...
7 de novembro de 2015
O Adolescente Suicida
Após o sopro
inicial do nascimento, a alma do homem segue um fluxo contínuo em direção ao
seu reencontro com o nada. Nesse caso, o conceito de tempo seria traduzido nas
marcas genéticas que afloram durante o amadurecimento do fruto homem somadas
com as lapidações e cicatrizes adquiridas através da relação com o ambiente. O
corpo é o veículo que dita a estética e suas transformações para a interação da
alma com o mundo físico, assim como as peças de um computador que capturam
estímulos externos para que os softwares possam trabalhar e então reproduzir o
conteúdo na tela. A relação entre corpo e alma, dentre outras coisas, também
exerce gravidade, quando passa a modificar o ambiente e as outras vidas ao seu
redor, ao mesmo tempo em que é influenciado de forma direta e indireta por todo
o ecossistema.
A
inconsciência do animal humano sobre suas características existenciais básicas
e sua influencia no meio externo, que em sua maioria envolve outros universos
particulares também inconscientes, muitas vezes acarreta na dificuldade de
interação e cooperação entre as pessoas em seus diversos grupos sociais, como
nos ciclos de amizades ou na família, o que também vale para povos, nações e
também pra humanidade como um todo. O homem é essencialmente diferente dos
outros animais justamente pelas suas capacidades altamente avançadas de
autoavaliação, comunicação, organização, inteligência, etc. Em outras palavras,
o que difere o ser humano das outras formas de vida é a sua consciência –
altamente ligada à moral - que funciona como um espelho que o faz olhar pra si
mesmo, provocando a reflexão. Quando deixa de se autoavaliar e não toma as
rédeas da sua interação com o meio, ele está sendo inconsequente com seu
próprio futuro, passando a assumir os altos riscos de imprevistos negativos. Um
forte empecilho evolutivo é que o homem mal saiu da sua fase de criança, onde
tudo é fantasia e não tem responsabilidade sobre seus erros, e está no meio do
processo de se descobrir pensador e capaz de grandes transformações positivas
no ambiente, que facilitariam a incessável busca da preservação não só da
espécie, mas da vida inteligente, até então única no universo, o que faz dele
próprio a coisa mais valiosa existente, juntamente com tudo o que já criou
entre tecnologia, conhecimento, arte, valores e etc. Enquanto amadurece, o
homem se dá ao luxo de errar incansavelmente para que, com sorte, aprenda a se
medicar.
Ao longo da
história, devido à sua inconsciência natural, o homem adolescente foi
inconsequente, como era de se esperar. Ao mesmo tempo em que produzia avanços
inimagináveis a ponto de não se limitar em pisar apenas na superfície de seu
planeta natal, produziu também uma série de relações altamente danosas à
preservação da espécie e do ambiente em que habita, como a destruição de boa
parte dos seus recursos naturais básicos e a precarização da condição da
maioria dos indivíduos da espécie. O homem, além de não conhecer seu lado
racional e transformador, também desconhece o seu lado animal e destruidor,
lado qual que se beneficiou do potencial inteligente e estratégico do homem
adolescente para aumentar sua eficiência autodestrutiva.
A luta do
homem é, então, contra sua própria natureza, que o desafia a amadurecer mesmo
que contra a própria vontade, com o propósito de preservar o que o universo
demorou alguns bilhões de anos para lapidar, conscientemente ou não. A luta do
homem é espiritual, física e mental. É uma luta contra o espelho, contra o ego
e, claro, contra seu inconsciente ignorante, que é naturalmente adverso ao
conhecimento em todas as suas formas. Sendo assim, os demônios que o homem tem
que encarar são bem mais fortes do que os seres malignos que já imaginou: eles
são reais, mas são invisíveis e estão cheios de boas intenções. São demônios
individuais, mas que podem nos levar ao suicídio coletivo, fazendo com que,
prematuramente, o universo adiante seu reencontro com o nada. Um universo vivo,
talvez, mas inconsciente de sua própria beleza.
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