3 de fevereiro de 2015

A São João



Com passos leves eu sigo
Caminhos tortos, antigos
De pedras maciças e ricas
De história e cantigas
Ambiente secular

Com olhos abertos
Bem grandes e fartos
Fotografo bem certo
Cada igreja, lampião
Lenda, construção
Meu divino e puro lar

Destes montes verdejantes
Respiro ar mais belo e claro
E se calo ante tua fonte
Das belezas que deixei

Volto a tempo de amar-te
Tão mais forte e intensamente
Colorida e almamente
Minha amada
És Del Rei


Por Bia de SouZa

2 de fevereiro de 2015

Mentes, Coração

Por Rafael Mota e Jefferson Veloso


Num futuro não tão distante
Algum neto de certo ouvirá
De algum velho falante
A estória que seguirá
De dois jovens andantes
Que viviam a sonhar

Sonhos de vida bendita
Mal ditos por terceiros
Mas bem dizia o sábio em Gita
No início, fim e meio:
Somos o amargo da língua
Nas caminhadas noturnas
Sem medo, sem freio

Duas sedentas crianças
Sem saber como crescer
Sem querer entrar na dança
Que todos pareciam saber
Mas criança nunca se cansa
E se arriscaram a viver

Criando histórias daquela certa vez
Que de vez em quando acontece sempre
De dois caminhos distantes
Que se unem mesmo ausentes
Que se separam quando se unem
Unindo passado, futuro e presente
Sintonia de coração e mente

Jovens vidas que se esgotam
Quebrando muros, erguendo pontes
De vigas que homens não notam:
Não se toca o horizonte
Estradas sem chão nem rotas
Paraíso atrás dos montes

Em viagens de toda espécie
Coisas novas aprendiam
Transformando em alicerce
O que plantavam, o que colhiam
Cultivando a velha prece
De que lado a lado correriam

Duas linhas, duas ilhas
Uma delas é sentimento
Verbo solto, irregular
Chamas sólidas ao vento
Adjetivo ultrairmão
Substantivo simples:
Coração

Do outro lado, subsequente
Caminha o louco prudente
Doentiamente são
Descendente do rei Salomão
Aqui se faz, aqui se sente
Corpo nu trajado de mente

Estória gravada nas curvas
Que o vento insiste em fazer
E a brisa por si continua
Em deixar tudo acontecer

Linhas que fazem poesia
Da arte que a amizade cria


28 de janeiro de 2015

:D



Me pego pensando em pleno verão
Em como sorrir é algo tão nobre
Sorriso quente, com cores bem fortes
Riqueza gratuita e sem contra-indicação

Sorrir sem motivo, sem eira nem beira
Deixar que os olhos se façam brilhar
Sorrir com motivo, pura brincadeira
Sentindo a pele se acalorar

O tempo: calor,  minh'alma: vermelha
Bronzeio meu Templo de Salomão
Tão forte respiro, meu corpo arqueja
Gargalho sem medo, com satisfação

Em versos inspiro, reverso me faço
Inverso me sinto, e verso em compasso
Sorrio portanto, por pura vontade
Só rio sentindo essa felicidade!

https://tempestadideias.files.wordpress.com/2013/08/sorriso-mundo-fortuna.jpg



Por Bia de SouZa

26 de janeiro de 2015

48 horas

Caberia conversas sobre Deus e o mundo
Num abraço fundir dois irmãos vagabundos
Caberia poemas sem caneta ou papel
E corpos errantes escalando Babel

Caberia dez anos de conversa estendida
Que fariam um dia parecer uma vida
Caberia o acaso apontando um sinal
Do perfeito equilíbrio entre o bem e o mal

Caberia a certeza da nossa ignorância
Ao lembrar de quem éramos quando criança
E conhecer novamente uma mesma pessoa
Que irradie na boca energia tão boa

Caberia sair por aí sem destino
Temendo o escuro feito dois meninos
Perceber que um lado não é só emoção
E que a outra metade finge ser pura razão

Transbordaria sorrisos de milhão de milhas
Mostrando que somos mais do que ilhas
Pios construindo pontes em pilares profundos
Se obtém solidez pra transformar o mundo

Afinal, quanta vida cabe em dois dias
Em dois alicerces, dois guias?
Afinal, quanta vida se gasta vivendo
E quanta morte se evita aprendendo?

Positivismo

Ah, se eu pudesse nadar no vento!
Saborear o céu e as nuvens
Alcançar a linha do horizonte
Viver cem anos num momento

Ah, se eu fizesse chover magia!
Pra fazer do meu corpo um laço
Apertar o mundo num abraço
E só haver choro de alegria

E se as árvores começassem a sorrir
Cada vez que uma gota caísse
E se a chuva secasse a fome
De quem mal consegue dormir

Ah, se eu soubesse fazer um poema
Que sanasse qualquer problema
Para criar um mundo perfeito
Daqueles cheios de defeitos
Pra que a realidade não sufoque
Os sonhos que pulsam no peito


23 de janeiro de 2015

Eu sou reggae
Ela é rock
Puro soul
De sua batida pop

Vou dançar
Vou dançar comigo
Te puxo, te solto
Te rodopio

Bailar no seu compasso
Sapatear, pular e agachar
Me perder nos seus passos
Sem saber se quero me achar


http://vuelistas.com/blog/wp-content/uploads/2013/06/Captura-de-Tela-2013-06-12-%C3%A0s-10.50.34.png



Por Jéfferson Veloso

22 de janeiro de 2015

Pop!



De tantas coisas que eu poderia dizer
Tantas das quais eu não quis mais sentir
Das muitas que tive e que deixei
Ou tantas nas quais me perdi

A mais doce delas permaneceu
Com um toque de fruta cítrica
Das que mais simples me excita
Perfume de um sonho meu


Imagem: rosapoesiaemflor.blogspot.com
Palavras me faltam
Ainda que as escreva 
Mas não há o que descreva
Sensação tal qual me toca

Sinto os aromas que me abraçam
Os beijos que tivera
Suspiros, primavera
Pulam sorrisos... pipoca!





Por Bia de SouZa