9 de julho de 2013

Ponto declarado em reticências.

Por Bia de SouZa


Um dia me questionaram o que é o amor.

Naquele momento, dei uma resposta já formulada, sem nada pensar, apenas querendo responder, sem pretensão nenhuma.


Mas, hoje, ainda que não me perguntem de novo, quero responder autenticamente a essa pergunta.


O amor é aquilo que você sente ao acordar e lembrar que logo, logo, verá o sorriso mais lindo do mundo ser dado a você, sem ao menos você pedir.


É o bater do peito acelerado ao imaginar a voz suave e profunda, bem no seu ouvido, dizendo simplesmente "bom dia".


É a sensação indescritível de querer sorrir sem motivo, apenas porque o outro ama o seu sorriso, despretensiosamente.


Amor é dormir no chão, como se estivessem em uma cama de rosas macias.


É xingar e ser xingado, no meio de gargalhadas e beliscões.


É querer agradar pelo simples fato de todos os dias serem especiais.


É fazer café e colocar, junto com o açúcar, todo o coração, que nem cabe em nenhum pote.


É se declarar ao vento, na esperança de que ele leve o recado, quando a sua metade está fora de alcance.


Amor é perceber que, ainda que se esteja triste, a lágrima escorrida dos olhos do outro será sempre mais dolorida que a sua, e que, para enxugá-la, os seus olhos precisam estar sorrindo.


Amor é viver a sua vida, na certeza de que ela é completamente dependente e viciada na vida do outro.


É baixar a guarda quando o que está em jogo é a felicidade.


É buscar o equilíbrio andando de montanha russa.


Amor... é tentar definir o indefinível, na esperança de entender aquilo que não se explica, apenas se sente.


Com o coração repleto de fogos de artifício.

8 de julho de 2013

Shhh...!

Shhh...
Tá ouvindo...?
Um zumbidinho, oh...

Ali...
No cantinho...

Tem uma formiguinha fazendo cócegas na minha cabeça...
Oh, ali...
Do ladinho...
A formiga...

Já ouviu o zumbidinho ali no cantinho...?
A formiga está coçando a minha cabeça...
Não a orelha...!
Tô ouvindo, e a formiguinha também deve tá...


Meus dedos tremem, oh...
Os seus também...?
É ruim, oh...
Dói...
Mas é por causa do zumbido...
Ali, oh...
No cantinho do ladinho...

Shhh...!!!
Oh...!
Viu lá...?
Eu ouvi, ali, oh...
Você não...?
Ah, uai...


SHHHHHH....!


Por Bia.

4 de julho de 2013

Entre quatro mãos



E no cair de uma lágrima
transborda em mim a inspiração
do que valeria a vida
sem o som do coração?
E de que valeria a desculpa
se não houvesse conciliação?

No cair dessa lágrima
Sinceramente, aqui, digo:
Ela de nada valeria
Sem este som tão contido
E nada mais é a conciliação  do 
que o reflexo das desculpas
aceitas de coração... 


Não existe máquina do tempo
o livro da vida é feito sem uso da borracha
nada continua os momentos de contentamento
nada apaga os momentos de desgraça.

Não existe máquina do tempo,
mas existem sentimentos,
Que, quando sublimes e verdadeiros,
transformam o negativo em positivo
contentamento. 


Eu sou escada, e você é meu corrimão
eu sou espelho, e você é minha reflexão
eu sou ímã, e você é minha obsessão
O buraco negro de um túnel iluminado
Minha doce ilusão.

Eu sou o conteúdo, e você é minha forma

Eu sou a ordem que você desorda
Eu sou a paz que vence as suas guerras
E você é o café que me mantém alerta. 

Te faço estrada, para eu ter motivo de chegada
Você se torna meu corrimão, enquanto me faço escada
É meio que assim
Um pouco de tudo para mim
Enquanto eu sou seu 'tanto faz'
Você é meu 'pode ser desse jeito'.

Te faço forma, pois o conteúdo é por ela moldado
Como a água, é móvel, líquido,maleável
É meio que assim
Você me molda, sem começo nem fim
Tanto fazendo,
Desse jeitinho sendo.

E assim vou fazendo meu caminho
Te fazendo mulher para eu ser o seu menino.

E assim vou caminhando
Meu menino ninando,
 E, bastantemente mulher,
Vou te amando.
Ponto.


Por Jéfferson e Bia.

3 de julho de 2013

Sinfonia em dó maior.




E, não mais que de repente, o sol nasce na janela...
Frio, pálido... mas, ainda assim, reconfortante.
Como é bela a cor amarelada que reluz nos prédios ao redor daquela janela.
Uma luz divina, quase inexplicável, de uma pureza indistinta e natural... tão cálida e afável.
É como se o mundo renascesse a cada surgir solar.

Mas o rio infinito de lágrimas ainda teimava em jorrar do poço dos olhos dela...
Uma água rala, suja dos sentimentos encrustados nas paredes oculares e que agora escorriam pelos vales das olheiras passageiras, mas tão constantes.

Como o brilho do sol nascente doía naqueles olhos molhados...

Uma dor excruciante, que a fazia lembrar de todo o repuxar que as veias e artérias do seu frágil coração vinha suportando, uma tortura incansável que a visitava nas noites mais frias e aconchegantes daquele inverno permanente. 
A dor do estilhaçar do vidro que se quebrou internamente.
Um vidro raro, difícil de ser colado, quiçá reinventado.
O seu próprio espelho... espelho seu.

Ah, dor... como possui a coragem faltante nas almas mais sensíveis?
É tão bela como as sinfonias dos gênios, quase como se fosse sua grande musa.
E por ser assim, acaba embalando e ninando os corpos mais desprotegidos, desprovidos de força interna e externa para abraçá-la por inteiro.

Só o que se externa são as águas rubras vindas de um mundo interior, onde não há mais a segurança da barreira intransponível do amor-salva-vidas.
O Cerberus de três pontas, guardião do mundo inferior a que se chegou com a mais completa descrença em si mesma.
Talvez ela tenha atingido o nível mais profundo e perigoso dos níveis disponíveis.
E sabe o quão difícil será convencer Caronte a voltá-la à luz da sua simples janela.

E o sol...?
Ah, o sol...
Como que se apiedando da dor causada aos olhos e à alma tão devastados pela peste, se esconde...
Entre nuvens brancas de um céu azul, aparentemente desprovido de tempestades.
Por Bia de SouZa
Imagens:




1 de julho de 2013

Respingos.



Peguei-me pensando na possibilidade de ser Pintora.
Dessas que usam palhetas, cheia de tintas, pincéis variados e roupas largadas, repletas de respingos multicoloridos.
Ser Pintora me possibilitaria colorir o mundo de um jeito real, não apenas figurativamente.
Usar todas as variedades de tons existentes, e criar tantos outros a partir dos primeiros,
sendo livre para usar e abusar da tela até que não houvesse um mísero espaço sem tinta.
Gostaria de colocar o mundo do tom que meu coração estivesse em cada instante:
Vermelho, quando o amor dominasse.
Verde, quando a raiva viesse.
Roxo, quando o mistério pairasse.
Azul, quando a paz vencesse.



A cada pincelada, deixaria na tela um pouco das cores que rodeiam a minha alma, esperando que pudessem, de algum modo, circundar as almas desprovidas de cor.
Ainda que de Preto e Branco, eu fosse responsável pela avivação do que ainda era incolor.
Talvez eu me torne, realmente, uma Pintora.
E, ao me tornar assim, quero que meus primeiros movimentos sejam, de uma única vez, capazes
de inundar o mundo num mar claustrofóbico de pura vibração em tinta.





Por Bia de SouZa
Imagens: 



30 de junho de 2013

Do Pó Ao Absurdo


Fora dito que tudo estaria conectado,
Que a poeira das estrelas seria o espelho de todo deus,
Que o infinito constrói seu inconstante fardo,
E que o sopro da morte era apenas meu.

Em algum lugar haveria um jardim
Com belas lápides e epitáfios,
Onde a esperança não teria fim,
E a vida, nem tanto assim.

Haveria então uma enorme macieira
Conectada há séculos por raízes e alma,
Alimentada por anseios mortos em trincheira
De todos os universos em aparente calma.

Árvore tal cada vez mais forte,
Se alimentando do caos,
Se fortificando na morte.

Fora visto, eram os frutos perfeitos,
Carregados de sangue e de medo
De cada morte que aflige o peito.

Fora sentido, por conclusão,
Que viver nada mais era que desesperador,
Que a eternidade reside, então,
Em cada universo sem criador.



Mal Estar

Te quiero, como un chico de 5 años que empecinadamente desea ese juguete en la vidriera, te quiero ahora, acá, en este momento, que si venís ahora tu cara reflejada en mi, va a tener un sabor diferente.

Te quiero, no te amo, te deseo, pero no te amo, tu libertad es la mía también, tus ojos son los míos también, te quiero, no libremente ni con sanidad, sino con la mas extraña sinrazón, con el mas amargo deseo que no se puede cumplir.

Es esta distancia, la ala que sobre mi cielo derrumba mil razones para no vivir mi vida, y si vivir sueños, los tuyos y los míos mezclados.

Es esta distancia, ese no en la cara del padre que niega a gastar plata para un juguete sin sentido.

Es esa flecha que me atraviesa y me deja clavada, estancada, en una punta del cuadrado vacío de mi existencia, sin poder ir hacia adelante, sin poder retroceder, solo viendo todo y todos pasar a lo lejos, como una mariposa ajena al mundo pero castigada al estar sumergida en el, cuando yo, mariposa errante, solo quiero estar sumergida en tu piel, en tus ojos, en tu pelo, escondida en la luna perdida de tu oreja, en tu sangre, y protegida en tus manos…

Te veo acá ahora, sentado en una silla imaginaria, lanzándome una mirada verdadera, estas acá, sumergido en mi piel, en mis deseos, en mis pensamientos, tan latente como la sangre que vibra bajo mi carne, mas vivo que yo, mas vivo que las personas que corren frenéticas a mi alrededor, mas vivo aun, que las millones de vidas que sucumben al mundo, mas real que todas estas cosas verdaderamente sin sentido que me obligan a hacer, como precepto social, como regla verdadera para triunfar, mas vivo que las mentiras, que las verdades, mas vivo que la realidad de cristal que a todos nos ahoga en su brillo de luz mentiroso.

Vivo y acá, en mi cabeza y en cada esquina, cada lugar, cada persona, vivo…

Retirado de: Mamihlapintapai