26 de março de 2013

Eu quero.

Por Bia de SouZa



Eu quero.

Eu quero um travesseiro macio, para
minhas ideias descansar.
Eu quero um chocolate quente, para
meu coração aquecer.
Eu quero uma chuva fria, para meu desânimo
matar.
Eu quero uma noite vazia, para meu grito
nascer.

Eu quero.

Eu quero um amigo sincero, para meu cabelo
afagar.
Eu quero um suspiro triste, para minha alegria
esquecer.
Eu quero um amor de verdade, para de verdade
me amar.
Eu quero um buraco fundo, para dentro dele
morrer.

Eu quero.

Eu quero uma flor selvagem, para meus olhos
brilhar.
Eu quero pimenta ardente, para minha alma
ferver.
Eu quero um bichinho fofo, para meu peito
arfar.
Eu quero uma dor doída, para meus olhos
arder.

Eu quero.

Eu quero chorar sem motivo, para um motivo
encontrar.
Eu quero uma música ouvir, para simplesmente
entreter.
Eu quero abrir um livro qualquer, para a minha escrita                     
inspirar.
Eu quero olhar para você, e realmente te
ver.

















Quero tanta coisa, sem ao menos
notar.
Que de tanto querer, posso  até me
iludir.
Mas se não quiser, como posso
afirmar
Que meu simples querer é o que me faz
conseguir?


25 de março de 2013

Carreras

Caminas sin saber a donde
corres en ciertos trechos
pero finalmente
paras a respirar
y sentís el tiempo
pasar al lado tuyo
como un viento
como un susurro
en medio del acto final.

Y al mismo tiempo
que lo ves adelantarse
empiezas a correr de nuevo
con la misma energía de siempre
con la misma voluntad,

pero tus pensamientos
tan cansados, cansados,
solo vagan por lugares extraviados
dejan a tu cuerpo
correr hasta quebrarse lo huesos
nada lo para, nada lo hace desistir,

porque en sus adentros
todavía quiere,
con tanta ganas se confiesa,
ganar, al que gano
antes que vos
empezaras a agitar tus piernitas.

El suelo se abre en dos
y sin darte cuenta
sos tragada por la furia de tu corrida
y no sos mas
nunca mas,
se fue
el todo
y la nada que esperaba.


Por Paloma S. Rebes, em Mahmilapintapei

O Dia Que Não Terminou


Paralisado por final
No cinzento campo aberto.
Num colapso cerebral
Nas ruinas do deserto.

Olhos arregalados,
A pele se arrepia.
Olhos falantes, vidrados.
E ao seu redor tudo gira.

Paralisado pelo terror.
Um filme se passa,
Um filme de horror,
Um final em desgraça.

O fogo ajudou com a brasa
E agora está a cobrar,
Como quem constrói a casa
Só pra vê-la desabar.

A vida valendo ouro,
Negro ouro, doce vida
Enxergue, estático olho,
Procure por uma saída.
No final, uma emboscada.
E a vida valendo nada.

Morre o peão,
Morre o guerreiro.
Pela nação
No tabuleiro.

Fim de jogo, afinal
Fim de uma era.
Parecia normal
A rotineira guerra.
O olho de vidro não acredita.
Paralisado, de terror grita.

Silêncio e nada mais,
O eco se esconde.
É tarde demais,
Nem o deserto responde.
Hoje é o dia que durará para sempre,
Só restam escombros de uma civilização doente.

Sonhos, pelo caminho deixou.
E se houve esperança,
Morreu ao esperar o findar do dia
Aquele que não terminou

24 de março de 2013

En un Mundo

No puedo tener miedo
en un mundo
creado y sustentado en base del miedo.

No puedo soñar,
mis propios sueños
en un mundo de sueños vendidos
en cada esquina de cada ciudad.
Sueños enajenados
que enferma
al comprador.
No puedo,
ya que seria competencia
para tantas tiendas.

No debo decir mis verdades
en un mundo que crea mentiras
para olvidar un pasado
o crear un futuro
tan incierto e inseguro
como esas mentiras baratas.

Debo dejar de ser
en mundo que solo importa el tener,
no importa lo que tengan solo tener,
en un mundo donde igualan
sentimientos y plata,
tecnología
a contacto humano.
No se puede vivir
en un mundo que no es humano
siendo uno,
un humano
que por este mundo inhumano
es ahora
un extraterrestre
con un pesar y soledad
tan humanos.

Por Paloma S. Rebes, em Mamihlapinatapei.

22 de março de 2013

Magia Branca

   Por Bia de SouZa



A cortina estava fechada. Ela ainda tinha alguns segundos para respirar e ser ela mesma. Depois de tanto tempo, o frio na barriga se tornara seu melhor amigo, a companhia mais fiel e envolvente. Praticamente, tinha nele seu amante mais confiável.
  60 segundos. A luzinha vermelha anunciando os instantes anteriores à abertura das cortinas de veludo reluzia ao seu lado. Como odiava aquela luzinha. Ofuscava sua vista mais do que os holofotes ao entrar em cena. Provavelmente, tudo não passasse de mera implicância. Implicância com a luz vermelha.

   5 segundos. Sentiu o ar mudar de densidade e, ao abrir os olhos, viu milhares de olhos famintos ao seu redor, sedentos por um movimento dela.
   Aproximou-se do centro do palco. Apenas o ecoar dos seus saltos extremamente finos eram ouvidos. Nenhuma mosca, nenhum grilo, nenhum suspiro. Nada. Apenas seus saltos agulha.
   Parou ao lado do mastro e, num movimento rápido e aveludado, despiu-se de sua capa de couro, sentindo na pele semi-nua o movimento do vento, reiniciado pelos suspiros prendidos da plateia atenta.
   Música.
   Tudo fluía ao som rítmico da batida sensual, os movimentos precisos de uma dança quente, provocante e rotineira.
   Ela executava toda a sua performance com maestria e destreza, percebendo na multidão que a rondava centenas de olhos famintos conhecidos.
   Ela subia e descia no mastro. Seus saltos já não mais ecoavam, apenas serviam como molas propulsoras para seus movimentos mais ousados, momento em que invertia seu campo de visão e virava do avesso o mundo do seu séquito de vampiros. Sedentos por sangue.
   Os seus vampiros. Anjos caídos; Seres Noturnos.
   Tudo era um ritual. A cada sétimo dia da semana, ela se apresentava, como uma bruxa invocando seus espíritos, sendo observada de perto por seus discípulos, bem educados. Tudo era cronometradamente esperado.
   Suspiros no momento um. Risos no momento dois. Gemidos no três. Palmas no quatro. Novo silêncio no quinto ato.
   Ciclo vicioso e viciante, que a fazia Mestre na Arte em que se iniciara.
   E naquela noite, como num romance, num filme ou novela, havia um novo par de olhos.
   Não famintos.
   Concentrados. Curiosos.
   Femininos.
   O ar novamente mudou de densidade. Mas dessa vez, pareceu ralear. Ela não estava acostumada a olhos assim.
   Excitação.
   Pulso acelerado.
   Fluxo sanguíneo descontroladamente ativo.
   Ela desceu as escadas do palco, caminhando lenta e felinamente, diante da novidade.
   Os olhos estavam a alguns passos de distância, compenetrados e - quem diria? - divertidos.
   Um divertimento quase infantil.
   Porque eram olhos de uma quase criança.
   Quase.
   Bem à sua frente estava a constatação de que as aparências são enganadoras.
   Os demais olhos famintos estavam vidrados às costas dela, curiosos frente ao novo. Um passo fora do comum causava erupções desestruturantes.
   Aqueles olhos femininos vinham acompanhados de cabelos castanhos, olhos amendoados e boca rosada. Corpo esguio, fino e coberto por um vestido de seda preto, na altura dos joelhos. Sapatilhas cor de chumbo lhe cobriam os pés pálidos como a lua.
   Ali estava uma imagem contrastante com os cabelos vermelhos curtos e pele bronzeada dela.
   Como uma cobra antes do bote, ela se agachou em frente àqueles olhos, sabendo que os gemidos de plano de fundo se sobressairiam à música ambiente.
   Delicada como uma pluma, ela subiu-lhe o vestido, deixando os joelhos e parte das coxas à mostra. Afastando-lhe gentilmente uma perna da outra, ela apoiou um dos seus pés na cadeira e olhando aqueles olhos profundamente, sorriu.
   Foi retribuída com um sorriso travesso, seguido por uma mordida nos lábios. Achando aquilo divertido, ela aproximou-se mais e deixou que seus próprios lábios roçassem-lhe a pele, ao mesmo tempo em que, ajeitando-se com carinho, sentava-lhe no colo.

   Nunca havia contato físico em suas apresentações.
   Assim como não havia olhos femininos.
   Percebeu que se tocavam delicadamente, com certo receio e ousadia.
   Os vampiros ao redor não ousavam interromper a mais nova parte ritualística. Duas bruxas geravam mais faíscas, portanto, mais combustão.
   Ela pôs-se de pé e rodeou-lhe a cadeira. Não fora seguida pelos olhos femininos, que permaneciam onde estavam.
   Deslizando-lhe os braços por sobre os ombros, tocou-lhe o busto, sentindo-o arfar.
   Ela, mais uma vez, sorriu e, pela primeira vez, olhou ao redor.
   Olhos famintos, sedentos, excitados e hipnotizados. O poder do desconhecido era muito forte.
   Caminhou em direção ao palco, consciente de seu movimento, e subiu num salto único. Agarrou-se ao mastro, girando, girando, girando... e parando no solo gelado, que arrepiava sua pele.
   Viu a luz azulada ir se esvaindo, num fluxo lento e lânguido, e o momento quatro finalmente chegar.
   Não houve quinto ato naquela noite.
   As cortinas se fecharam à frente dela, e ela conseguiu ouvir seu próprio gemido.
   Uma noite memorável, poderia dizer.
   Especialmente por saber que aqueles olhos infantis seriam revistos. Brevemente.
   Lá estava seu amante mais confiável novamente a envolvê-la.
   Sorriu.
   Cerimônias ritualísticas mudavam com a introdução de novos feitiços.

18 de março de 2013

Quinto ato

 por Jéfferson Veloso.


                                           Prefácio

"Querida Margott,

 te escrevo hoje esta carta, na intenção de despedida. Despeço-me de você e do mundo inteiro. Desisti desse jogo. O 'tudo ou nada' nada mais me importa. Não encontrei outra saída.

PS.: não me responda.

Com carinho,
eu."

I-
    Acordo na manhã do primeiro dia de inverno do ano. Roupas minhas e suas jogadas em todos os cantos da sala onde, ali mesmo, dormimos. Minha vista ainda cansada percorre aquele espaço em que horas atrás foi cenário de uma foda fenomenal. O cheiro de sexo e vinho seco ainda está presente no ar e principalmente em meu corpo. Peças de roupa, garrafas de bebida alcoólica e preservativos eram prova de que tudo o que está passando em minha mente realmente foi real.  Mesmo assim, era como se eu estivesse acordando de um sonho, mesmo tendo a certeza de que tudo tinha acontecido. Tento fechar um pouco os olhos para pensar um pouco do que aconteceu ontem à noite. Mas ao virar a cabeça para o lado, vejo-a despertar, linda e delicada. Seu cabelo negro chanel contrastava perfeitamente com a sua pele morena. Era como uma recompensa para mim, aqueles lindos olhos se abrirem juntamente com seu sorriso ao me ver.
 - Bom dia, querido. - diz, com tom de bocejo.
 - Bom dia. Dormiu bem?
 - Nossa, melhor do que qualquer outro dia. Você ainda sabe satisfazer uma mulher, hein...
  Engraçado, em um breve momento, essa frase ecoou em minha mente.
"Você ainda sabe..."
"...ainda sabe..."
"...ainda sabe.."
  Para um pessimista, isto apenas seria apenas um mal dizer sobre sua idade, ou seja, estaria chamando-o de velho. Para um otimista, estaria dizendo o quanto era bom de cama, mesmo tendo alguns anos a mais. Deixando minha modéstia de lado, ainda digo que esse meu corpo de 42 anos 'ainda' conquista muito mais mulheres do que esses garotos de 24. E não faço esforço algum. Elas simplesmente vêm atrás de mim. Eu apenas aproveito da situação. Coisa normal para um oportunista, quente e calculista.
Mesmo sabendo que não vão valer mais do que uma simples noite de sexo para mim, elas simplesmente me adoram.
 - Você me deixou doidinha ontem... - sua voz me faz voltar ao mundo real.
 - Pequena...você ainda não viu nada. - digo isto enquanto cubro seu corpo com o meu.
 - Hum... - gemeu - não vi? Você ain...
  Beijo seus lábios carnudos antes dela terminar a frase, enquanto ela me abraça cada vez mais forte, fazendo-me encostar meu peito nu em seus seios ainda guardados em minha camiseta do AC/DC, mas com um leve destaque de seus mamilos. Seu abraço me fazia perceber cada vez mais que ela me queria 'dentro' dela novamente. E eu quero estar dentro dela.
  Vou descendo minha boca em direção a seu pescoço. O gosto do vinho seco que derramei nela na noite passada ainda está presente, mas vai diminuindo a cada lambida ou chupão que dou. Sua respiração ficando cada vez mais densa devido ao prazer era como êxtase para mim, e eu correspondia com beijos mais quentes e abraços cada vez mais fortes, a ponto de fazê-la arranhar minhas costas com suas grandes unhas. Enquanto eu roçava meu pau por cima de sua virilha, sua calcinha ficava cada vez mais úmida perante os movimentos que fazia por cima dela. E posso dizer que aquilo definitivamente não era apenas suor. Ela estava 'molhadinha' novamente...
  Mesmo sendo eu quem dava as direções no sexo, ela me deixava louco de prazer ao falar, ofegante:
  - Assim... acaba comigo... me come... vem se encaixar em mim, vem...
  Não penso em outra coisa senão a colocar sentada por cima de mim, para que eu possa tirar minha camiseta do seu corpo. Então, seu busto surge. E lá estão eles: redondos, fartos, perfeitos, como se estivessem me olhando, implorando por carinho. Melhor não deixá-los desamparados. Faço carinho com minhas mãos, amaciando-os suavemente, enquanto ela apenas sente com os olhos fechados em direção ao nada, com sua respiração cada vez mais densa. Para dar o tesão, abocanho o seio direito enquanto continuo com acariciando o esquerdo com a mão. Sinto uma respiração se transformando em pequenos gemidos. Sei que ela gosta disso. Depois de um certo tempo ela cai na cama, extasiada, com as pernas entrelaçadas em minha cintura. Parei um pouco para admirar aquela visão: cabelo jogados para o lado esquerdo, olhos entre-abertos em um rosto jogado para o lado direito, pescoço úmido, seios fartos, curvinhas da cintura, calcinha... calcinha? Por que não tirei você dela ainda?
  Coloco a música The Jack (AC/DC) para dar um clima a mais e então recomeço a beijar-lhe o pescoço; vou descendo até seus seios e dou mordidinhas carinhosas enquanto ela se contorce cada vez mais fortes. A cada movimento que ela faz, aproveito para descer cada vez mais em direção à sua calcinha. Antes de tirá-la permaneço um tempo beijando a parte interna de suas coxas, fazendo-a dar algumas reboladas quase que involuntárias.
  Em um só movimento tiro sua calcinha, o que a faz cruzar as pernas para esconder, digamos, o seu 'tesouro'. Com um pouco de força, abro suas pernas. Sem tirar meu olhar ao seu começo a beijar seus lábios, enquanto suas pernas esquentam minhas orelhas. Sua respiração densa se transformou por completo em pequenos gemidos e aumentavam cada vez mais a cada parte diferente em que eu direcionava minha língua. Tudo se destacava perfeitamente: virilha, clitóris, pequenos e grandes lábios, vulva... tudo aquilo estava sobre meu controle. Fica cada vez mais gostoso quando ela segura meu cabelo com as mãos e me direciona aos lugares na qual ela sente mais prazer.
  Agora estou deitado na cama, e ela está por cima de mim, fazendo os mesmo movimentos que acabei de fazer, mas sempre com seus olhos voltados aos meus. Seu olhar e seus movimentos mostram o quanto ela é insaciável. Por muito custo, percebo que a música parou de tocar. Então, e em sua homenagem, coloco Little Lover (também do AC/DC) para fazê-la sentir-se mais à vontade (se é que precisava disso).
  Nunca ninguém me tirou a cueca tão rápido quanto essa mulher. Se seu objetivo era me deixar louco de prazer, pode considerá-lo alcançado


continua...(ou não)

2













Silêncio.                                                                                                   Barulho.


                Sol.                                                              Trovão.


    Poeira.                                                                                                Ar Puro.


         Mago.                                                                  Pagão.


                                   Preto.                                                                                    Branco.


  Chocolate.                                                       Pimenta.


                         Calcinha.                                                     Cueca.         




                             Nude.                       Magenta.



                                         
                 Bonnie.                      Clyde.
                       


         Tequila.                                                                                                Sake.                                                      



                                            Loiro.                                              Castanho.                                                  
                                                 
                                     

Botão.                                                                                                                          Buquê.                                                 


                                    





Rock.
Arte.
Livros.
Sonhos.
Vida.
Olhos.
Paixão.
Amor.






Café.

2.







Por  Bia de SouZa