por Bia Sz
Fico pensando em como a vida pode ser como o mar
Tão cheio de surpresas, belezas, mistérios...
um infinito de possibilidades ao nosso alcance
mas ao mesmo tempo inalcançáveis...
O mar se compõe de estradas da vida.
Amostras estas, pequenas ou grandes,
de curta ou longa duração...
Inúmeras composições biológicas que formam um todo Vivo e intenso
Assim como a vida, o mar tem suas marés,
que levam e trazem notícias para perto ou longe de nós.
Através das marés é que percebemos como tudo passa e se transforma
sem deixar de ser parte daquilo que sempre foi: O mar em seu esplendor.
A vida é tão indescritível quanto as águas dos oceanos...
Tão mágicas e imperfeitas quanto às ondulações que batem retornam às rochas...
Tudo isso me faz pensar em como amo o mar.
Pois se o amo, logo vejo que amo a vida.
4 de janeiro de 2013
31 de dezembro de 2012
adeus,
por Jéfferson Veloso.
Em algum lugar do oriente médio, 21 de setembro de um dia qualquer da semana. Desperto-me de meu doce sono, no qual me arrependo de não conseguir controlar a vontade automática de acordar. Como qualquer ser humano normal que acaba de ter um lindo sonho, tento voltar a dormir para voltar aonde parei. Sem sucesso. Redireciono meus pensamentos à missão que me foi dada por pessoas que prezam pelo bem da sociedade ocidental: mirar e matar, sem pensar. Estou em um deserto que nem sei o nome, que fica próximo à zona de combate, no qual os inimigos insistem em chamar de casa. Montamos uma tática de invasão e está tudo marcado para ser realizado no período da tarde desse dia. Invasão surpresa, sempre funciona. Dá até mais adrenalina acertá-los quando não sabem o motivo, nem de onde, nem de quando.
Fui encarregado de colocar munição nas armas para o combate, marcado às 15:30 desse dia, que deve ser uma terça-feira, mas parece quinta. Pentes cheios nas MAC-10, .40 e MAVERICKs, e um pacote cheio de balas para a 44 que meu pai me deu de presente. Granadas de todas as espécies, e preparar mais dois Panzerfaust que a tropa de reforço trouxe dois dias após nossa chegada. Tudo pronto.
Mais uma hora e partimos. Começo então a me concentrar no objetivo da missão: mirar e matar, sem pensar.
Mas... me pego pensando em você, Manuella. Você que, no fundo, sabe que eu não queria estar aqui. Você que me deseja a seu lado a todo momento, e que detesta o fato de eu estar aqui do outro lado do mundo destruindo vidas de uma nação para o suposto bem de nossa nação. Será esse o preço que se paga para haver a paz? Se for, ainda não estou me sentindo muito pacifista.
Em algum lugar do oriente médio, 21 de setembro de um dia qualquer da semana. Desperto-me de meu doce sono, no qual me arrependo de não conseguir controlar a vontade automática de acordar. Como qualquer ser humano normal que acaba de ter um lindo sonho, tento voltar a dormir para voltar aonde parei. Sem sucesso. Redireciono meus pensamentos à missão que me foi dada por pessoas que prezam pelo bem da sociedade ocidental: mirar e matar, sem pensar. Estou em um deserto que nem sei o nome, que fica próximo à zona de combate, no qual os inimigos insistem em chamar de casa. Montamos uma tática de invasão e está tudo marcado para ser realizado no período da tarde desse dia. Invasão surpresa, sempre funciona. Dá até mais adrenalina acertá-los quando não sabem o motivo, nem de onde, nem de quando.
Fui encarregado de colocar munição nas armas para o combate, marcado às 15:30 desse dia, que deve ser uma terça-feira, mas parece quinta. Pentes cheios nas MAC-10, .40 e MAVERICKs, e um pacote cheio de balas para a 44 que meu pai me deu de presente. Granadas de todas as espécies, e preparar mais dois Panzerfaust que a tropa de reforço trouxe dois dias após nossa chegada. Tudo pronto.
Mais uma hora e partimos. Começo então a me concentrar no objetivo da missão: mirar e matar, sem pensar.
Mas... me pego pensando em você, Manuella. Você que, no fundo, sabe que eu não queria estar aqui. Você que me deseja a seu lado a todo momento, e que detesta o fato de eu estar aqui do outro lado do mundo destruindo vidas de uma nação para o suposto bem de nossa nação. Será esse o preço que se paga para haver a paz? Se for, ainda não estou me sentindo muito pacifista.
15:00. Todos os combatentes ficam à espera do início da missão. E eu fico pensando em você, enquanto olho a foto que me entregou no dia de minha partida. Nunca vou esquecer aquele beijo e o que me disse depois: "Quando olhar para o céu e perceber que o brilho de uma estrela for mais intenso que as outras, será a prova de que continuarei te amando. E cada brisa que lhe correr pelo corpo ao dia, será meu corpo te chamando para uma junção de prazer entre nós dois. Te amo." Penso todos os dias em cada palavra dita, e mais ainda quando sinto essas brisas ou vejo tal estrela. Será que você olha a mesma estrela que eu? Mesmo que não olhe, sei que estás a pensar em mim, pois estou fazendo o mesmo agora, enquanto olho para sua foto, na qual é a único objeto que tento manter conservado. Guardo sempre no bolso esquerdo do uniforme. Enquanto penso em você, nem vejo o tempo passar. Nem me lembro que estou vivo de verdade (se é que eu ainda esteja realmente). O tempo passa, mas eu bem queria passá-lo todo tempo a seu lado.
15:30. Operação em andamento. Partimos em direção à zona de combate, enquanto decidimos que a melhor forma para interceptar é atirando uma bomba no centro da cidade com a Panzer. E eu sou o encarregado de fazer isto.
Tudo parece estar movimentado no centro. Pela mira da arma, vejo centenas de pessoas, indo e vindo, com suas sacolas de compras de mercado. Parece ser uma feira. Ou pode ser algum bom evento, como toda cidade pequena sabe fazer. Mas tenho que direcionar meus pensamentos e dizer para mim mesmo que tudo se trata de uma zona de guerra onde cada sacola esteja guardando granadas, que em cada tenda tenha um estoque cheio de AK-47 e que cada pessoa seja um soldado treinado para matar sem piedade, o que lembra muito os soldados que fazem parte do meu pelotão.
Mira travada. Corpo firme para o impacto da arma. Um simples movimento de "venha cá" do meu dedo indicador da mão esquerda faz com o que o gatilho seja apertado, acionando impulso dentro da Panzer, fazendo com que cuspa a mesma bala que demorei 5 minutos para conseguir colocá-la na arma. Tudo tão rápido. Fecho meus olhos e a única coisa que faço é ouvir o estrondo da explosão misturando-se com os gritos amedrontados da população. Quando abro meus olhos, não consigo enxergar mais soldados. Só consigo ver monstros. Monstros sedentos de carne. Prontos para tirar a vida de qualquer um que não seja de sua amada nação. Olho para minhas mãos e percebo que não são mais as mãos de uma pessoa normal. Me tornei um monstro também. Não consigo colocar os pensamentos mais em ordem. O único impulso que me governa no momento é o de acompanhar o bando de monstros e fazer tudo o que eles estão fazendo, que é seguir a missão: mirar e matar, sem pensar.
Vidas e mais vidas vão sendo tiradas da pequena cidade. Os chamados 'inimigos' poderiam ser qualquer um.
Acabo fazendo uma história de vida para cada vítima de minha Maverick. A bala que uso para matá-los vira sua água de batismo (ou certidão de nascimento no cartório), o que me faz ter o direito de dar nomes.
Começo pela história de Alfred. Depois que vejo minha bala atravessar seu peito, imagino que, com seus 32 anos, ele poderia ser um daqueles comerciantes que ficam batendo de porta a porta, a fim de vender o seu produto revolucionário (qualquer produto se torna revolucionário na mão de um comerciante autônomo). Imagino que ele tenha dois filhos, um menino e uma menina, no qual nunca os deixaram passar fome, já que, com o salário de sua esposa e suas vendas, conseguem manter o sustento para sua casa. Mas isso não importa mais, pois existe uma bala em seu peito o impedindo de fazer suas vendas, contando que não terá mais vida para fazer isso. Adeus, Alfred.
Conheceremos então a história de Rosemary, 29 anos, dona de casa, mãe de filho único, e forçadamente casada com um dono de padaria a seis anos. Rose acordava todos os dias às 7 da manhã, colocava o leite para ferver enquanto prepara a mesa para o café-da-manhã. Enquanto o leite ferve, ela regava as plantinhas de sua varanda. Depois, colocava o leite na mesa do café-da-manhã, enquanto seu filho se aprontava para ir à escola. Logo após comerem, ela ia com seu filho até o portão e lhe dava um beijo de bom dia na testa. Então ela voltava para dentro de sua casa e começava os preparativos para a refeição da tarde. Vai ficar um pouco difícil fazer tudo isso agora que alojei uma bala em sua cabeça. Adeus, Rosemary.
15:30. Operação em andamento. Partimos em direção à zona de combate, enquanto decidimos que a melhor forma para interceptar é atirando uma bomba no centro da cidade com a Panzer. E eu sou o encarregado de fazer isto.
Tudo parece estar movimentado no centro. Pela mira da arma, vejo centenas de pessoas, indo e vindo, com suas sacolas de compras de mercado. Parece ser uma feira. Ou pode ser algum bom evento, como toda cidade pequena sabe fazer. Mas tenho que direcionar meus pensamentos e dizer para mim mesmo que tudo se trata de uma zona de guerra onde cada sacola esteja guardando granadas, que em cada tenda tenha um estoque cheio de AK-47 e que cada pessoa seja um soldado treinado para matar sem piedade, o que lembra muito os soldados que fazem parte do meu pelotão.
Mira travada. Corpo firme para o impacto da arma. Um simples movimento de "venha cá" do meu dedo indicador da mão esquerda faz com o que o gatilho seja apertado, acionando impulso dentro da Panzer, fazendo com que cuspa a mesma bala que demorei 5 minutos para conseguir colocá-la na arma. Tudo tão rápido. Fecho meus olhos e a única coisa que faço é ouvir o estrondo da explosão misturando-se com os gritos amedrontados da população. Quando abro meus olhos, não consigo enxergar mais soldados. Só consigo ver monstros. Monstros sedentos de carne. Prontos para tirar a vida de qualquer um que não seja de sua amada nação. Olho para minhas mãos e percebo que não são mais as mãos de uma pessoa normal. Me tornei um monstro também. Não consigo colocar os pensamentos mais em ordem. O único impulso que me governa no momento é o de acompanhar o bando de monstros e fazer tudo o que eles estão fazendo, que é seguir a missão: mirar e matar, sem pensar.
Vidas e mais vidas vão sendo tiradas da pequena cidade. Os chamados 'inimigos' poderiam ser qualquer um.
Acabo fazendo uma história de vida para cada vítima de minha Maverick. A bala que uso para matá-los vira sua água de batismo (ou certidão de nascimento no cartório), o que me faz ter o direito de dar nomes.
Começo pela história de Alfred. Depois que vejo minha bala atravessar seu peito, imagino que, com seus 32 anos, ele poderia ser um daqueles comerciantes que ficam batendo de porta a porta, a fim de vender o seu produto revolucionário (qualquer produto se torna revolucionário na mão de um comerciante autônomo). Imagino que ele tenha dois filhos, um menino e uma menina, no qual nunca os deixaram passar fome, já que, com o salário de sua esposa e suas vendas, conseguem manter o sustento para sua casa. Mas isso não importa mais, pois existe uma bala em seu peito o impedindo de fazer suas vendas, contando que não terá mais vida para fazer isso. Adeus, Alfred.
Conheceremos então a história de Rosemary, 29 anos, dona de casa, mãe de filho único, e forçadamente casada com um dono de padaria a seis anos. Rose acordava todos os dias às 7 da manhã, colocava o leite para ferver enquanto prepara a mesa para o café-da-manhã. Enquanto o leite ferve, ela regava as plantinhas de sua varanda. Depois, colocava o leite na mesa do café-da-manhã, enquanto seu filho se aprontava para ir à escola. Logo após comerem, ela ia com seu filho até o portão e lhe dava um beijo de bom dia na testa. Então ela voltava para dentro de sua casa e começava os preparativos para a refeição da tarde. Vai ficar um pouco difícil fazer tudo isso agora que alojei uma bala em sua cabeça. Adeus, Rosemary.
É engraçado pensar que cada vida que está sendo tirada poderia tanto ter a chance de se tornar uma ameaça no futuro, quanto não tornar. Infelizmente, para nós, soldados, deixá-los vivos não é uma opção.
Meu estado de monstro começou a desaparecer quando me deparo com o pequeno Raphael, com seus singelos 12 anos. Antes de matá-lo, vi um brilho intenso em seus olhos, parecido com o brilho da estrela em que olho toda a noite pensando em você, Manuella. O pior parte é que não consegui evitar puxar o gatilho antes de voltar ao meu estado normal. Que mal um garotinho tão cheio de vida poderia representar à uma nação? O que me fez pensar que tenho o direito de arrancar-lhe a vida?
Mirar e matar, sem pensar.
Ficamos tão interessados em acabar como o terrorismo que nos tornamos os verdadeiros terroristas.
Não consegui criar uma vida para o pequeno Raphael. Simplesmente, coloquei minha vida dentro dele. Enquanto vejo o brilho de seus olhos se apagarem, devido ao projétil alojado no peito, imagino todas as minhas vontades, todos os meus sonhos de 12 anos sendo apagados junto com sua vida. Adeus, pequeno garoto, aproveite e levo tudo de bom que restou em mim.
Quando você está em guerra tudo ao seu redor vira conflito ao seu redor e dentro de você. Suas sensações, decisões, tudo. Chego a entrar em conflito com minha própria missão, o que me faz pensar e deixar de matar. Tudo começa a rodar e ficar confuso ao meu redor. Mas a sensação que estou tendo é prazerosa. Pois estou em tão completo estado de paz que nem reparo uma granada de mão explodir ao meu lado.
A guerra só acaba quando a morte começa. E está acabando para mim.
---
Se existe uma cor para caracterizar a paz que senti no decorrer de mais ou menos 30 segundos finais de vida,essa cor era azul. O azul de seus olhos, doce Manuella.
Você é meu ponto de paz. E a única sensação que posso sentir é do seu corpo junto ao meu, enquanto uma leve brisa passa por mim, já imóvel do tronco aos pés.
Não, não estou triste por estar morrendo. Estou feliz por saber que eu tive alguém a quem amar antes dizer "Sim, eu vou à guerra pela minha nação". Desde essa frase, me tornei um monstro de guerra insensível.
Espero que esta mensagem chegue à você, nem que seja em seus sonhos. Nem que seja daqui a 52 anos.
Adeus, Manuela.
PS.: Sabe a estrela com o brilho mais intenso? Serei eu.
Meu estado de monstro começou a desaparecer quando me deparo com o pequeno Raphael, com seus singelos 12 anos. Antes de matá-lo, vi um brilho intenso em seus olhos, parecido com o brilho da estrela em que olho toda a noite pensando em você, Manuella. O pior parte é que não consegui evitar puxar o gatilho antes de voltar ao meu estado normal. Que mal um garotinho tão cheio de vida poderia representar à uma nação? O que me fez pensar que tenho o direito de arrancar-lhe a vida?
Mirar e matar, sem pensar.
Ficamos tão interessados em acabar como o terrorismo que nos tornamos os verdadeiros terroristas.
Não consegui criar uma vida para o pequeno Raphael. Simplesmente, coloquei minha vida dentro dele. Enquanto vejo o brilho de seus olhos se apagarem, devido ao projétil alojado no peito, imagino todas as minhas vontades, todos os meus sonhos de 12 anos sendo apagados junto com sua vida. Adeus, pequeno garoto, aproveite e levo tudo de bom que restou em mim.
Quando você está em guerra tudo ao seu redor vira conflito ao seu redor e dentro de você. Suas sensações, decisões, tudo. Chego a entrar em conflito com minha própria missão, o que me faz pensar e deixar de matar. Tudo começa a rodar e ficar confuso ao meu redor. Mas a sensação que estou tendo é prazerosa. Pois estou em tão completo estado de paz que nem reparo uma granada de mão explodir ao meu lado.
A guerra só acaba quando a morte começa. E está acabando para mim.
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Se existe uma cor para caracterizar a paz que senti no decorrer de mais ou menos 30 segundos finais de vida,essa cor era azul. O azul de seus olhos, doce Manuella.
Você é meu ponto de paz. E a única sensação que posso sentir é do seu corpo junto ao meu, enquanto uma leve brisa passa por mim, já imóvel do tronco aos pés.
Não, não estou triste por estar morrendo. Estou feliz por saber que eu tive alguém a quem amar antes dizer "Sim, eu vou à guerra pela minha nação". Desde essa frase, me tornei um monstro de guerra insensível.
Espero que esta mensagem chegue à você, nem que seja em seus sonhos. Nem que seja daqui a 52 anos.
Adeus, Manuela.
PS.: Sabe a estrela com o brilho mais intenso? Serei eu.
30 de dezembro de 2012
Pode ser Estranho ou Bizarro o que importa é estar bem
Sabe, às vezes eu me ponho a pensar, sera que vale a pena ficar velhinho, viver uma vida regrada e cheia de cuidados, juntar dinheiro, para depois usufruí-lo ou deixar para alguem? Ou talvez preferir uma vida sem limites, aproveitando ao máximo, sem ligar para regras ou cuidados e consequentemente viver menos? Pois bem, são escolhas como essas que nos fazem refletir sobre como levar a vida, se vamos ligar para que os outros pensam, ou se vamos viver como a gente quiser, às vezes questões como estas me revoltam, você pode ser uma pessoa que sempre agrada e faz tudo certo, quando decepciona uma única vez, a sociedade te crucifica, e cair na opinião dos outros é se deixar ser um peão do sistema, o correto é fugir disso, viver como se quer, estando bem consigo mesmo não fazendo o sucesso proprio apagar o sucesso de quem está do seu lado, tipo só acho! Isso foi meio que um desabafo, mas acontece a todo tempo e como todo mundo.
29 de dezembro de 2012
apenas um cisco no olho
![]() |
| Se sorrir é coisa de louco, que eu seja um louco desvarrido. |
Fonte: Bloody Brothers
Me lembra um pequeno texto que fiz: para fazer amanhã, e depois, e depois
15 de dezembro de 2012
parte do eu que já não faz parte
por Jéfferson Veloso.
E tudo se vai
minha alma se despede de mim
Vá!
Oh! doce sereno de mim
afasta esse caos que me persegue
que me faz igual a todo mundo
Por quê?
Pra quê?
De que vale?
Viver no meio do povo escravo do papel numerado
No meio desses que abrem seus escudos para algo tão belo como a chuva
Você não merece isso, vá!
Despeço do meu corpo
Adeus...
"uma gota d'água te chama lá fora"
vá, e tente ser feliz
meu amor, minha alma.
Leve consigo todas as minhas euforias
todos os meus estardalhaços
minhas lembranças
meus prazeres
e faça deles tua morada
Sufoca todo o que tem de mal
esqueça tudo que fiz de ruim
se não me fez bem, não fará a ninguém
tu, tão doce
tão delicada
espere aqui mais uma noite
deite comigo
faça acordar esse instinto maligno
e tire-o de mim,
antes de tua ida
antes que tudo esteja consumado
Te achava tão pertencente a mim
mas descobri que estava errado
tarde demais para consertos.
E quando você for
meu eu se tornará nada.
O corpo fez um contrato com a morte
e a alma é o tributo a ser pago
Mas pode ser o contrário
pois não mais se sabe quem é o verdadeiro proprietário.
essa é a vida.
minh'alma canta em delírios
"você é tudo que eu que eu quero, mas nada do que preciso"
e segue seu caminho
sem rumo
sem arrependimentos
sem olhar para trás
enquanto eu,
eu me tornei um monstro
Desses de terno e gravata
sem expressão facial
sem sentimentos
sem vida.
Somente mais um escravo do papel numerado.
14 de dezembro de 2012
Setenta E Poucos E Vinte E Sete
Capítulo I – Setenta E Poucos
Parte I - Nascimento
Meu nome é Alberto García, mas
me tratam como Senhor García. Senhor. Esse deve ter se tornado o meu nome.
Vamos começar de onde parei, ou melhor, do princípio da minha existência. Nunca
fiz muito sentido e a indecisão corre em minhas veias desde a primavera em que
fui concebido. Uma herança um tanto quanto indesejada, mas válida. Sempre fui
muito extremo, como dizem tudo ou nada, mas sempre buscando meios de alcançar
um equilíbrio. Organizado e desleixado, tímido e cara de pau, triste e
eufórico, frio e sentimental, engraçado e insuportável, o introvertido palhaço,
costumava ser muito subjetivo, mas sem perder o foco. Um péssimo otimista. Esse
fui eu até a juventude - 17 - e tudo se resume nisso, até que os extremos
passaram por conflitos entre si que nem gosto de relembrar. Minha mente virou
uma arena onde lutavam os mais temidos e controversos pensamentos em busca de
um espaço maior, num processo quase natural. Passei algum tempo me descobrindo
e analisando o que estava ao meu redor. Tristes tempos bons: o que era duplo
passou a se tornar um só e a balança não mais existia, mas ainda reinavam as
suposições. Creio que estou me tornando hoje o que fui décadas atrás, porém
estou um tanto quanto atrasado - e arrependido - já que viver não é mais uma
certeza e, por ironia, também não era naquela época.
Parte II – Aquelas Velhas Decisões
Naquela época tomei as
decisões mais difíceis da minha vida e talvez as mais importantes, que se
refletiram durante toda a minha existência e que ainda possuem força para me
motivar a escrever isso. No trabalho, milhares de dólares, euros, libras,
reais, pesos, papéis... Tudo isso multiplicado cuidadosamente sob meus olhares
atentos e meu ágil aparelho cinzento que nunca me deixou errar e que me tornaram
essa máquina infalível de transformar água em vinho, e milhares de decisões que
tomei para construir todo esse patrimônio são apenas uma gota d'água no mar da
importância das decisões que tive que tomar na adolescência. A intensidade da
infância teve que voltar à tona, pois não existia meio termo, não mais, e a
situação estava insustentável, beirando ao colapso do meu sistema. Pois bem,
pode imaginar agora qual o caminho escolhi e quais os extremos prevaleceram.
Costumava ser um homem de negócios, competente, fiel a tudo e a todos. Resolvi
me entregar aos encantos do meu meio depois de desistir de ser dono de mim
mesmo. Durante a maior parte do tempo fiz tudo conforme me mandaram, conforme
me ensinaram e conforme o esperado, mesmo que isso nos primeiros anos me
causasse um grande desconforto, mas as coisas são assim e você acaba se
adaptando.
Parte III – Linha De
Isolamento
Perdi alguns amigos e a confiança de outros, mas também fiz uns novos, e isso
tem que valer de algo, afinal tudo era reciclável naqueles tempos. Trabalhei, estudei,
trabalhei, forcei uns sorrisos, menti aos montes, fiz alguns inimigos e briguei
pelas ideias de quem pagava por minhas viagens trimestrais para o exterior, de
quem pagava pelo meu Audi, por essa mansão na qual estou eu na varanda, olhando
para o nada com o mar dando o contraste ao fundo e a linha que corta o azul
infinito me mostrando que é tarde demais para mudar de opinião, na qual eu
escrevo agora na esperança de que não seja tão tarde a ponto de deixar que
outros saibam como é ser um fracassado de sucesso, para que saibam fazer suas
escolhas, lutar por suas próprias ideias ou então apenas deixar o que quer que
seja determinar ou não sua existência insignificante, assim como a minha.
Nunca tive mulher ou filhos, pois sempre afastei as pessoas que
tentavam se aproximar, e não farei testamento. O que parece meu na verdade não
é, eu só fiz parecer que sim. Será que tenho mais um dia ou dois para viver?
Não sei e, sinceramente, não quero saber! Eu tive medo, prolonguei o meu
sofrimento mais do que o necessário nesse plano e gosto de pensar que esse é o
único que me restou, se é que me resta alguma coisa palpável além desses longos
cabelos brancos que insistem em me lembrar de que não fui melhor do que aquela
simples criança indecisa. Se o amanhã não vier, agradeço desde já ao tempo por
me fazer esse favor.
_____
Capitulo II – Vinte E Sete
Parte IV – Universo Paralelo
Sabe-se muito sobre mim então dispenso cerimônias. Sabe-se quem eu sou. Sete
minutos. Sou o senhor da minha existência, meu próprio criador, minha própria
criatura, selvagem, intuitiva, intensa, obscura, instintiva e livre de qualquer
amarra - pelo menos eu era até o momento presente.
Observando minhas escolhas que me trouxeram até aqui, ao fundo do poço outra
vez, aprendi que há apenas duas maneiras de um homem seguir em frente sem foder
consigo mesmo, sem fritar o seu cérebro todos os dias quando bota a cabeça no
travesseiro ou quando se está prestes a tirá-la dele. Nunca fui de resumir
tanto assim as coisas, você sabe, mas essa é uma ocasião de extremos e
considerando que um homem saiba de tudo o que eu sabia há uma década,
interprete e obrigatoriamente terá que escolher um dos dois modos de sair dessa
encruzilhada: ou ele se veste de criança e se esconde dos seus sonhos, seus
desejos, e principalmente dos seus medos, perde o brilho nos olhos e nunca mais
tira essa máscara e essa fantasia perfeita, ou ele encara tudo isso, deixa de
apenas viver, passando a existir. Não há meios termos. Cinco minutos. Quase
sempre me dou bem quando estou sobre pressão, mas não creio que seja esse o
caso. Infelizmente, ou felizmente, depende do ponto de vista, a maioria dos
homens da minha época e do passado escolheram a primeira saída. Até entendo-os,
muitos tinham família e prezavam por elas, mas eu não podia dizer o mesmo,
muito menos meus companheiros, sem contar que, para muitos, é muito fácil viver
com uma máscara permanente. Não, eu não caminhei sozinho até aqui e pra ser
sincero eu não chegaria tão longe não fossem meus fiéis camaradas, cada Sancho,
cada Camilo, cada fiel escudeiro – cada ator principal - a quem considero irmão
de batalha, aqueles que derramaram sangue comigo e por nós, aliás, mais do que
por nós, mas pelo resto do mundo.
Parte V – Ouro Vermelho
Mal sabem os
tiranos que o que escorre depois do estalo seco da bala vale mais do que
qualquer coisa nesse mundo. Três minutos. Escorre ali nada mais que um ideal,
uma causa, um delírio compartilhado, um sonho, e isso hoje em dia é tão escasso
quanto olhos de verdade uma década atrás, olhos próprios. Foram esses olhos que
viemos trazer, espalhar essa epidemia para que se tornasse incontrolável tal
como está a acontecer nesse exato momento mundo afora. Minha intenção aqui não é
fazer uma retrospectiva, mas apenas refletir e relembrar com orgulho das
decisões que me fizeram estar aqui nesse momento, nessa sala escura,
trancafiado há dias e, por ironia, observando o pavio do meu destino diminuindo
na velocidade do som enquanto o som do meu povo lá fora, comemorando a
liberdade e a vitória sobre os opressores, ecoa como música aos meus ouvidos,
num silenciar suave que me serve de fundo perfeito para esta reflexão. Dois
minutos. Cá estou agora, numa espécie de calabouço, amarrado a um poste e tudo
o que vejo é o vazio. Foi tudo o que restou aos antigos donos do poder depois
de sentirem na pele que quando se comprime demais uma mola ela tende a se
expandir mais do que o normal quando se solta, atingindo várias vezes extremos
para que enfim repouse no seu equilíbrio. Foi assim com minha sociedade - nossa
sociedade - e tudo o que fiz nessa curta vida, junto aos meus companheiros, foi
fazer com que a mola se desprendesse do seu estado comprimido.
Parte
VI - Renascimento
Sendo assim me despeço silenciosamente com a
sensação de dever cumprido. Um minuto. Tudo o que eles querem de mim é que eu
implore por piedade, que eu admita que eles estejam certos e que a vitória não
foi justa, o que justifica todo esse cenário lento e reflexivo. Entendo-os,
pois o que mais poderiam querer nesse momento de fracasso total? Eu sou o
orgulho. Estão acuados, perdidos e seu fim será o mesmo que o meu. Eu sou a
vitória. A vida é insignificante e escorre entre meus cabelos compridos, então
porque me preocupar com a perda dela se esse é o ciclo natural e não vai abalar
– não de forma negativa – tudo o que já foi conquistado? 30 segundos. Estou
indo, mas vou ficar sem pedir permissão na memória de quem ouvir falar ou ler
num livro de história sobre um evento qualquer em 2022. Eu sou o movimento.
Sempre gostei do clássico, do antigo, do velho mundo, mas sem fugir da
realidade, e não seria diferente com relógios: os digitais me irritam. É o que
tenho agora. 15 segundos. Não no meu pulso, mas pulsando em reflexos nos meus
olhos os últimos segundos, que mais parecem anos. Talvez ele queira tardar seu
suicídio. Entendo-o também e já estou com saudades, pois provavelmente não nos
veremos no inferno. Está conversando comigo:
“Vejo-te lá em:” 5.
Ou não. 4.
Por que demora tanto? 3.
“Feche seus olhos.” 2.
“Acorde! Está apenas ressurgindo!” - grita minha mente.
“Vejo-te lá em:” 5.
Ou não. 4.
Por que demora tanto? 3.
“Feche seus olhos.” 2.
“Acorde! Está apenas ressurgindo!” - grita minha mente.
Por Rafael Mota
12 de dezembro de 2012
Loucura/Lucidez
“Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura”
Aristóteles
Afinal o que é ser normal?
Há um aparente paradoxo no que tange a conceitos acerca da normalidade.
A loucura ou a lucidez podem ser consideradas como o
que beira ou foge aos padrões de comportamento de uma sociedade. O que em minha
análise é equivocado, já que esse pensamento induz a reflexão de que tudo o que
é comum é normal, além de que só pode ser aplicada a cultura em que se observa.
Desta forma comportamentos atípicos inofensivos, são recriminados, e condutas
hostis e comuns, são bem aceitas.
Comportamentos fora do padrão são taxados de
anormais, mesmo que não atrapalhem a vida alheia, temos hoje o bullying, a
homofobia, a xenofobia... Uma série de “fobias”. Já condutas hediondas são
socialmente aceitas (ou ignoradas), como a agressão às mulheres pelos seus
companheiros, a corrupção (evidenciada pelo “jeitinho brasileiro”), a
banalização de valores e atitudes humanas, dentre outros exemplos.
Somos julgados
pelos rótulos, vistos, no mínimo com um pouco de estranheza se não usamos
roupas/acessórios da moda, se não gostamos de músicas, filmes, livros,
opiniões, religiões, sexualidade, posição, política, cultura, padrões da moda
ou momento em que se vive. Além de que o que é normal em uma cultura pode não
ser para outra. É o que se pode notar, por exemplo, a estranheza que causa a um
brasileiro, entrar em contato pela primeira vez com a cultura hindu, ou índios
antropofágicos.
Assim, indivíduos que fogem aos padrões pré-estabelecidos
são postos à margem da sociedade. É o que se pode notar através de influentes
estudiosos dotados de inteligência ímpar em seu tempo. Quase todos considerados
no mínimo atípicos, loucos, simplesmente por fugirem do padrão. Um bom exemplo
a ser citado, já na Grécia antiga: Sócrates, que “atormentava” pessoas pelas
ruas, fazendo questionamentos que colocavam em dúvida todo o conhecimento que
elas julgavam ter sobre o mundo. Este comportamento custou-lhe a vida, sendo
obrigado a suicidar-se tomando um cálice de cicuta. Há uma infinidade de
exemplos de pessoas que sofreram por sua atipicidade, mesmo que extremamente
lúcidas.
No meu entendimento, o significado de normalidade
ultrapassa o que é comum...
Quem é tão são para diagnosticar a loucura? O que é
o anormal para quem julgamos louco? Deve-se adotar um comportamento somente
porque é considerado normal? Deve-se seguir um padrão? Que tal repensar sobre o
assunto...Opine!
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